Doce nosso de cada dia

Quem é filho de pais separados conhece o drama natalino: com quem passar? Mãe? Pai? Ou um sprint dos 100m pra ver todo mundo na mesma noite? Na minha família, desenvolvemos, meus pais e eu, um arranjo tradicional: passo a noite do dia 24 com minha mãe, almoço no dia 25 com meu pai – simplicidade e elegância. Meu finais de ano funcionaram maravilhosamente bem por ano, mas de uns anos pra cá foi ficando cada vez mais difícil manter a tradição: pessoas casam, mudam de cidade, outras nos deixam na saudade.

Assim, em dezembro de 2013, me vi organizando pela primeira vez uma ceia natalina em minha casa. O apê não é muito grande e a família é pequena, então a lista de convidados não foi difícil de montar; o prato principal claro que seria o bacalhau desfiado no creme, receita clássica da minha avó materna e o grande hit de todos os natais; os outros pratos e acompanhamentos foram escolhidos com a ajuda do Jamie (Oliver, que tem um App ma-ra-vi-lho-so de receitas para iOS e Android).

Aí eu empaquei na sobremesa: cada um gosta de doce de um jeito (mais doce, menos doce, mais chocolate, sem banana) e a grande especialidade da casa sempre foi sorvete – comprado na sorveteria mais próxima de sabores variados para agradar a gregos e troianos.

Então eu pensei: a família tem origens portuguesas de um lado, o bacalhau é tradição lá da terrinha e o gosto pelos doces lusos é unânime entre meus convidados. Conclusão: faria uma noite temática, encomendando doces portugueses para sobremesa – assim mesmo, no plural, variedade seria a chave para o sucesso da minha primeira ceia natalina.

Lembrei que minha amiga portuguesa tinha servido esses docinhos na festa de uma de suas filhas e pedi a dica: Arte ConventualMe apaixonei de cara: o nome é bacana e o site é lindo! A página dos doces tem fotos e curtas descrições (o que não quer dizer muito, já que  todos os doces portugueses basicamente levam ovos, açúcar e amêndoas). 

Rapidamente achei as opções de pacotes para encomendas (com quantidade, variedade e preço pré-fixado, para facilitar a vida dos mais indecisos) e a forma de contato com o pessoal da empresa. Para mim site bom é assim: nada de ter que fuçar os cafundós até achar o que você precisa.

O pacote que eu queria tinha pastel de Belém (também conhecido como pastel de nata), toucinho do céu e queijinho de figo. Pedi que trocassem este último por queijadinha de Sintra e eles foram super simpas e fizeram a troca sem ônus ou ameaças. Pagamento feito; entrega agendada (tudo resolvido por e-mail com a Daniele), agora só faltava chegar finalmente o dia 24 à noite.

Em meio a toda minha ansiedade (passei algumas noites em claro pensando que tudo poderia dar tudo errado) e apreensão (esta por conta do olhar extra crítico de minha mãe – que tem nome composto, para impor mais respeito) ainda rezava para que gostassem dos doces…. Claro que todos amaram os doces (!) e, mesmo após protestos de meu pai de que tínhamos doces em excesso, sobraram somente alguns poucos docinhos. 

Esse ano, quando começaram os créditos iniciais do filmes “Como Vamos Passar o Natal esse Ano? – vol. XXIX”, fui incisiva e bati o pé: não seria na minha casa (nunca! jamais passarei novamente por esse martírio). Mas depois me arrependi, pois lembrei dos docinhos portugueses da Arte Conventual.

Entrei no site  e vi que eles não só conseguiram crescer como empresa (o ponto negativo é que agora eles não têm mais pacotes pré-fixados e criaram um valor mínimo para pedidos de entrega), como também aumentaram as opções de docinhos: barriga de freira; encharcada; ovos moles; pastel de santa clara e outros que não conhecia.

Achei que esse desconhecimento era uma gafe no meu histórico de aficionada por doces portugueses e fui visitar o quiosque deles no 3º andar do Shopping Leblon. Pedi o pastel de tentúgal e o mimo de azeitão: aquele é um enroladinho de massa folhada crocante, recheado com os tradicionais ovos e servido quentinho; este é uma espécie de quindim, mas ao invés de coco vem com base de amêndoas. Duas delícias que já entraram para minha lista de favoritos.

O quiosque é uma gracinha. Tem balcão e bancos altos para os clientes poderem aproveitar as guloseimas no local; o café expresso sai da bela máquina Delta, em intensidade forte ou fraca; e eles tem a tal água de Pedras Salgadas (talvez uma tentativa portuguesa de concorrer com a Pellegrino e/ou com a Perrier), mas que é extremamente overrated – nossa São Lourenço dá de 10 nessa daí.

O porém dessa narrativa é o preço: bem salgado! Tanto para encomendar os doces em suas versões mini (as unidades variam de R$ 3,50 a R$ 5,00, salvo engano) quanto no quiosque, os preços dessas maravilhas podem desestimular os mais contidos e menos apaixonados por doces portugueses.

Eu que não me encaixo em nenhuma dessas duas categorias dei meu jeito e vou apreciar um natal repleto de doces com ovos e amêndoas: abdiquei da função de fornecedora de bebidas e vou levar a sobremesa para a festa de amigo oculto (entrega já agendada com a Arte Conventual que ainda está aceitando pedidos!).

(Arte Conventual – 3o andar do Shopping Leblon – http://www.arteconventual.com.br/ )

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