Tchaikovsky e comida francesa

Há alguns anos, comecei minha própria tradição natalina, para celebrar o fim de ano do meu jeito: assistir ao ballet Quebra-Nozes, sozinha ou acompanhada, tanto faz. A combinação da música de Tchaikovsky com a história de Dumas (adaptada de Hoffmann) – passeios por mundos dos sonhos e crianças vestidas de bombons – é uma linda representação de Natal, traz de volta a felicidade inocente da infância. E sempre me deixa feliz.

Dessa vez, levei meu namorado e supondo que estaríamos alegres e contentes, mas com fome ao final do espetáculo, escolhi um restaurante do Guia Eat in Rio (usamos somente alguns poucos cupons, mas ainda dá tempo). Já conhecia o Galeria 1618 ali no Leme, por isso acabei optando por outro restaurante, do mesmo casal, ali pelo Leme também: La Fabrique.

Ao contrário do restaurante irmão que fica perdido ali pelas ruas labirínticas do Leme, o La Fabrique fica na Av. Atlântica, ao lado do Windsor, um dos muitos locais que agora animam a orla do Leme. Chegamos bem tarde, o que não foi um problema, pois eles só fecham a cozinha um pouco antes da meia noite (eu já havia ligado para confirmar), escolhemos uma mesa na parte de fora e logo veio o garçom com os cardápios: um de vinhos e outro de comida.

A carta de vinhos é bem pequena, com poucas opções para cada variedade, mas inclui vinhos em taça e meias garrafas. O que me impressiona, sempre, em cartas de vinhos no Brasil, é o desdém pelos vinhos brancos, rosés, verdes e espumantes – nosso tropicalismo pede, na maioria das vezes, vinhos leves, jovens e refrescantes, como esses. Acabei optando pela única opção disponível de vinho branco em meia garrafa.

Entre as opções de comida, clássicos pratos franceses, mas de entrada fomos com trouxinhas de camarão. Prato perfeito para nós dois, já que o próprio cardápio deixa claro que o plural de ‘trouxinhas’ se refere a duas unidades tão somente. De tão rápido que elas chegaram, confesso que desconfiei que estariam frias, mas minhas suspeitas não se confirmaram: elas estavam quentinhas e super gostosas – o recheio com legumes lembra a culinária asiática com um toque de “baianidade”. Mas o camarão, aqui, tinha, na verdade, somente uma participação especial; encontramos, em cada trouxinha, somente dois camarões vraiment petites.

Meu namorado foi de steak au poivre e eu pedi os moules et frites com opção de molho à la crème, prato que vai bem com chardonnay, pinot gris, sauvignon blanc e coisa e tal.

Os mexilhões estavam ótimos e o molho uma delícia para molhar as batatinhas. O restaurante, acertadamente, traz um bowl  para descartar as cascas à medida que esses pequenos mariscos vão saindo da toca. Já meu namorado não deu tanta sorte: o poivre, segundo ele, era um simples filé congelado (e talvez re-congelado), com um molho diferente dos poivres aos quais estamos acostumados. O que salvou foi o linguine que veio como acompanhamento, com molho à la crème (como o do mexilhão).

Não queríamos sobremesa, mas queríamos um café expresso para ajudar na digestão e aí veio a última decepção da noite: fomos informados por, creio eu, a dona do restaurante, de que não tinha café, pois a máquina estava quebrada desde de manhã cedo.

Saldo da noite: a comida é boa, mas não causa sobressaltos; o serviço é bem ruim; e os preços não compensam a experiência razoável de comer por aqui. Aliás, os mexilhões do Fiorentina, logo ali no Leme também, valem mais a pena, pelo preço e pelo serviço.

(La Fabrique – End.: Av. Atlântica, 994 – Tel.: 2541-2416 – http://restaurantlafabrique.com.br/ )

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