“I am always satisfied with the best”

Em busca de paz e tranquilidade, quis fugir, com o namorado, do caos que toma conta do Rio de Janeiro durante a semana de Reveillon – sei que a festa é linda, mas a quantidade de pessoas que se atropela pelas ruas é quase tão insuportável quanto o calor que assombra a cidade mesmo depois do sol se pôr. Ficamos em dúvida para qual destino de cachoeira iríamos. Começamos a pesquisar no Google.

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De meu tempo trabalhando como operadora de turismo guardo poucos, mas bons amigos, e um deles, mineiro, me deu a dica para ficar na Serra do Cipó, que tem mais estrutura que os demais lugarejos ali do Espinhaço. Partimos, então, em direção à Minas – no Carnaval nos protegemos da batucada na Serra da Canastra (sim, comemos muitos queijo homônimo) – buscando abrigo em uma pequena pousada de nome fofo (Vovó Alice).

Para compensar as caminhadas (longas), vales e cachoeiras (deslumbrantes), nos fartamos de costelinhas, feijão tropeiro, linguiças caseiras e pingas que desciam melhor que muita cerveja gelada por aí. Depois de quase uma semana comendo uma comida simples, quase caseira e muito gostosa (senti os efeitos quando tentei vestir um short jeans), ao final da viagem, eu precisava ir em busca de algo diversificado, buscando um restaurante bacana e contemporâneo em BH onde pararíamos para almoçar antes de seguir viagem de volta ao Rio.

Pedi ajuda aos universitários, mas acabei tendo que pesquisar pelo Guia 4 Rodas. Algum tempo depois (nem sempre tínhamos 3G na estrada entre a Serra do Cipó e BH, o que me fez interromper minhas buscas algumas vezes), decidimos conhecer o Glouton.

Aos domingos o restaurante só abre às 13hrs, então ficamos esperando um tempinho, mas nada que cause incômodo, já que ele possui mesas ao ar livre ali na frente e pudemos nos acomodar em uma delas. Fomos os primeiros a entrar e optamos por sentar em uma espécie de jardim interno, em um salão ao fundo do restaurante – paredes de tijolinho, clarabóia que permite entrar a luz do sol, ombrelones e um ar condicionado funcionando na temperatura certa para apaziguar os calores de verão.

A primeira surpresa foi o garçom: Senhor Jairo, de cara já levou meu troféu de “simpatia 2015”, sorriu o tempo todo em que estávamos lá – daqueles sorrisos verdadeiros que chegam aos olhos de quem realmente sorri.

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No cardápio, além das tradicionais entradas, pratos principais e sobremesas, uma seção só para amuse bouches: substitui o couvert e pode fazer as vezes de entrada para quem quer dividir. Tendo em vista as restrições alimentares do casal (eu não como banana; ele, tomate), optamos pelo carpaccio cítrico. Para mim carpaccio é um clássico: ótima opção para comer carne vermelha nesse calor! E, aqui, tudo veio sem miséria; as porçoes de carne cortadas finamente sobre o pão eram fartas, temperadas com alcaparra e limão siciliano (suco e raspa).

Como prato principal, o namorado optou por um prato de camarão e eu optei pela arraia. Aqui, novamente, preciso fazer um elogio ao serviço do local: o maître, após ser informado pelo Senhor Jairo do meu pedido de arraia, veio até a mesa oferecer o atum que estava super fresco. Confesso que a descrição do prato balançou minha convicção, mas fiquei firme em minha decisão de conhecer a arraia.

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Não posso dizer se foi a decisão certa (pretendo retornar ao Glouton para fazer a prova de fogo), mas eu não me decepcionei nem um pouco com minha arraia: carne branca, bem macia, sem espinhas (!), em molho de manteiga com alho e estragão – como o peixe tem sabor leve, o molho acaba sendo o carro-chefe. De acompanhamento, ravioles recheados de batata doce, saborosos e com textura de purê.

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O camarão que o namorado pediu vinha grelhado com molho curry (aqui uma crítica em função do paladar muito peculiar de quem gosta de coisas mais picantes: o curry poderia ser mais forte) acompanhado de ravioles de abóbora. “Nunca antes na história desse país” provou-se um raviole tão espetacular! Era cremoso, como o meu, mas a abóbora temperada com gengibre tinha um je ne sais quoi.

Comemos tudo e, para não perder a viagem, resolvemos pedir sobremesas – dois gordinhos não conseguem chegar a um consenso então cada um pediu uma sobremesa para si e o único acordo ali era deixar o outro provar um pedaço.

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Minha paixão por rabanadas me obrigou a pedir o pain perdu – feito de brioche – com creme inglês e sorvete de framboesa, bela combinação de quente, refrescante, azedinho e doce. O namorado foi de torta de chocolate com flor de sal, pimenta do reino e – wait for it – calda quente de caramelo. Por favor, quando ler a palavra caramelo, lembre do comercial do Twix para dar ênfase e conseguir captar um pouco da maravilha que é esta calda (eu não tenho palavras para enfatizar o quão boa estava).

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Pedimos um cafezinho para ajudar na digestão (e para ficarmos acordados na viagem de volta) e, sem imaginar que fosse possivel, fomos mais uma vez surpreendidos: o biscoito que vem com o cafezinho também vale todas aquelas calorias extras que eu estava querendo evitar.

Em meio a tantos pratos, bebidas (aliás, a carta de vinho deles é modesta, mas com boas opções de cada variedade/ região) e cafés, a conta ficou salgada (especialmente se sua última refeição foi menos de 30 reais por pessoa, incluindo bebidas, como foi o nosso caso), e como eles aceitam Amex, eu não consegui “dar o golpe”. Dividimos irmamente o estrago bancário, felizes por comemorarmos, em grande estilo, um ano juntos, com muitas risadas, viagens e bons pratos.

(Glouton – End: Rua Bárbara Heliodora 59, Lourdes, Belo Horizonte – Tel: 031 32924237 – http://glouton.com.br/)

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