Come together

Dizem por aí que cada um tem o que merece; suspeito que o universo me achou merecedora de trabalhar em um escritório com poucas pessoas, clima intimista, quase familiar. Quando se aproxima fim de ano, ao invés de festas megalomaníacas onde ninguém consegue efetivamente confraternizar, nós saímos para almoçar (tá vendo como cada um tem o que merece: sair para almoçar é a minha cara!).

Não é novidade que as pessoas têm gostos diferentes; às vezes as preferências são mais básicas, e por vezes elas são bem peculiares. E, em um escritório pequeno, estas diferenças são ainda visíveis. Assim para agradar vegetarianos, carnívoros e pessoas de dieta, este ano, o pessoal do trabalho foi confraternizar num restaurante italiano lá em São Cristóvão chamado Casa do Sardo.

Como uma chefa prevenida vale mais que duas, a minha tentou reservar uma mesa para nós e descobriu que a quantidade de mesas disponíveis para reserva já tinha dono. Nossa única opção para garantir um lugar sem sofrer na fila de espera seria aportar por lá antes do meio dia.

Na sexta-feira, 19 de dezembro, então, botamos a vida do escritório on hold e fomos todos rumo a São Cristóvão. Chefe ao volante, mulheres olhando o Google Maps, vencemos a intrincada circulação pelas ruas do centro, especialmente perto das festas de fim de ano, e chegamos bem cedo na porta da cantina.

Uma das primeiras coisas que se pensa ao olhar o lugar é “não dava nada por essa birosca”, ou ainda “passo toda semana por aqui e nunca nem reparei nesse lugar” (ambas foram observações ouvidas por ali). Mas como já tínhamos recomendações do local, não nos deixamos abater e fomos pedindo uma mesa.

2014-12-19 13.11.22Carta de vinhos em mão, optamos por um branco, mais compatível com o clima. Rótulo novo da casa, a escolha foi quase um tiro no escuro e aproveitamos para oferecer uma prova para o garçom (na esperança de que os próximos fregueses pudessem ter mais referências do que nós tivemos). O vinho, aprovadíssimo, era bem leve e, como ele ficou em um balde de gelo ali mesmo na nossa mesa, não ficou quente em momento algum. O vinho dividiu espaço com a Original, que também aportou por ali, para aqueles que não tomariam vinho.

De entrada, mix de bruschettas: as fatias são bem grandes e podem facilmente ser divididas, então, um prato que vinha com 08 bruschettas, ao final, ficou com 16. O pão é daqueles com casca mais crocrante e bastante miolo fofo e as opções de cobertura eram: funghi, beringela, tomate e queijo. A de queijo, como sói, deve ser consumida o quanto antes, para evitar que fique borrachudo; a de tomate não foi muito bem recebida, sob alegações de estar muito salgada; as de funghi e beringela são bem temperadas e deliciosas. Atenção: recomenda-se que todas sejam bem regadas com azeite.

Após muitos papo, alguns cascos de cerveja e quase a garrafa de vinho inteira (que dividi com a chefe) chegou a hora de pedir o prato principal. No cardápio um prato é propositalmente intrigante – Torteloni Casa do Sardo – indicando que a descrição deve ser feita pelo garçom. Asked and answered! Recheado com 4 queijos, coberto com nozes e tomate (picadinho), com molho de manjericão com manteiga, como se fosse um pesto. “Desce dois!” – pro chefe e um para mim, que dividi, para sobrar espaço pra sobremesa. A massa é mais al dente, o recheio é bem saboroso, e o molho, mesmo sendo com manteiga, é bem leve e acrescenta bastante sabor ao prato.

O outro prato escolhido foi o gnocchi de batata baroa ao molho pomodoro. Claro que pedi uma garfada e quase me arrependi da minha escolha: o gnocchi tem uma consistência macia e o molho de tomate, como dito à mesa, é daqueles caseiros, molho de tomate de verdade. O peixe também estava bem fresco e foi super elogiado, mas sobre esse não posso discorrer muito, já que não provei.

E como em festas de fim de ano todo mundo tem licença poética para enfiar o pé na jaca, fui de sobremesa: tiramisu, uma das minhas favoritas, estava impecável, servida com café em cima; e a outra sobremesa que fez bastante sucesso foi a torta de mele (de maçã) com nozes, servida quente, com sorvete de creme e calda de chocolate – não sobrou nada para contar história.

Além de comida boa e preço justos (em tempos de hiper-inflação, praticamente, esse adjetivo vale ouro), o restaurante tem um charme de cantina, onde é possível conversar em voz voz alta, trocar idéias com amigos, colegas e chefes e com um detalhe para os mais atentos: a louça é diferente para cada prato – dependendo de qual prato foi pedido, os ornamentos são de cores/ design diferente. Mas deixo aqui o meu protesto: o cafezinho estava meio queimado.

Devidamente confraternizados e escolados na arte de não julgar o restaurante pela sua fachada, voltamos para uma tarde de baixa produtividade e um desafio: que em 2015 o almoço de fim de ano possa ser no mínimo, tão bom quanto!

(Casa do Sardo – End.: R. São Cristóvão, 405 – Tel.: (21) 2501-9848 – www.restaurantecasadosardo.com.br/ )

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