Puttin on the ritz

Apesar de ser carioca, quando nasci, meus pais moravam em Recife (minha mãe, bravamente, vinha de avião até o Rio durante a gravidez – em plena década de 80 – para poder se consultar com o mesmo obstetra e acabou me tendo por aqui), em seguida fomos para São Paulo e só com 4 anos vim morar de vez na Cidade Maravilhosa. De Recife não me lembro nada, de São Paulo lembro do saco de dormir que minha vó fez a partir de um edredom colorido para me proteger do frio, da escolinha que eu frequentava (Tio Juquinha) e do meu restaurante favorito – o “Restaurante do Boizinho”.

Óbvio que esse não era o nome do restaurante; acho que esse deve ter sido o primeiro indicador de que eu seria uma pessoa exigente e com gostos mais requintados, pois o que eu carinhosamente chamava de “Restaurante do Boizinho” era a Rubaiyat.

Há anos não frequentava a Rubaiyat – já que nos últimos tempos sempre que fui a São Paulo estive sola (leia-se, sem o “paitrocínio”)-, então, quando soube que eles finalmente fincaram raízes em terras cariocas, uma visita nossa ao Restaurante do “Boizinho” era obrigatória.

A oportunidade veio no final do ano, quando resolvemos juntar meu namorado, o pai dele, meu pai e eu em um almoço natalino. Nesse primeiro contato, achei melhor fazer uma reserva para evitar filas e, consequentemente, contato entre os pais por lapso temporal maior que o estritamente necessário. Fiz uma reserva para 4 pessoas e lá fomos nós.

Instalado no Jóquei, com grandes janelas e pé direito alto, varanda e um grande salão interno, o restaurante possui ambiente bem agradável, ainda que um pouco barulhento (como são as churrascarias, em sua maioria). Você sabe que não tá fácil pra ninguém quando a Rubaiyat, ao invés de abrir dois restaurantes diferentes, um para carne e outro para frutos do mar, como fez em São Paulo, opta por ter uma única casa no Rio, com cardápio que oferece opções tanto da churrascaria quanto da Figueira Rubaiyat – a filial paulista especializada em frutos do mar.

Claramente preparado para reuniões e confraternizações, o restaurante oferece grandes mesas redondas; como achamos que ficaríamos muito afastados um do outro, optamos por uma mesa um pouco menor – ficamos mais apertados, mas conseguimos conversar sem ficarmos roucos ao final.

Ao contrário de certos lugares que não gosto nem de lembrar, aqui a carta de vinhos é extensa e com ótimas opções, de diversas faixas de preço. O serviço é atencioso e eficiente e, tão logo nos sentamos, chegou o couvert: uma focaccia fresquinha servida em um suporte de madeira, um prato com tira gostos (linguiça catalã, abobrinha com parmesão, tomate com queijo, salaminho e outras delícias), pães de queijo – tradicionais e de polvilho –  e pão de alho; outros pães especiais são oferecidos aos clientes pelos garçons, que rodam o salão com uma cesta de pães sortidos. Tudo tão gostoso e reposto de maneira tão eficiente que se você não prestar atenção, pode acabar comendo só o couvert mesmo.

Como eles optaram por dividir o cardápio entre carnes e frutos do mar, a variedade dos cortes de carne aqui não é tão extensa quanto em São Paulo, mas com certeza os grandes astros estão todos bem representados, como os cortes de chorizo e de kobe beef.

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Confesso que me causa dores pensar em pagar mais de R$250 por um corte de carne, então fui de baby beef normal (nada de kobe pra mim) – super macio, veio no ponto certo e, aqui, mais um charme da casa: os “boizinhos” que vêm espetados nas carnes indicando o ponto de cada uma. De acompanhamento, pedi a farofa que é feita com alho e cebola (farinha torrada na manteiga bem temperada) e roubei as batatas fritas soufflées do meu pai. Um clássico para lembrar bem a infância!

Para acompanhar todos os pratos de carne, são servidos, em panelinhas de cobre, porções de molho chimichurri, cebola e sal grosso.

De sobremesa, apostei na panqueca de doce de leite com sorvete de baunilha e acertei em cheio: foi eleita a melhor sobremesa do dia pelo juri popular composto por meu pai, o namorado, o pai do namorado e eu. As outras sobremesas deixaram um pouco a desejar: a tarte tatin pode ser vista por aí em versões mais saborosas; e tanto o quindim com creme de cachaça e baunilha, quanto a cocada com sorvete de cachaça pareciam ter cachaça só no nome.

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Para quem quer economizar as calorias da sobremesa (e da conta), pode ficar só no cafezinho: a casa tem boas opções de Nespresso que é servido com um pratinho recheado de guloseimas doces para tirar o gosto do salgado da boca.

Como eu disse, a casa é polivalente, então, aos sábados eles servem feijoada completa – o feijão é próprio da Rubaiyat, e o porco, também de fazendo própria, vem bem torrado. Já no quesito sobremesa, a feijoada inclui um buffet que é um escândalo(!): inúmeras opções que não constam do cardápio normal, inclusive variantes com doce de leite.

IMG_2188IMG_2189Entre os frutos do mar, pergunte se no cardápio da semana eles têm o carpaccio de polvo no aioli – poucas vezes pude apreciar um polvo tão macio; e de prato principal, o camarão grelhado, que em si pode parecer trivial, mas que vem com risoni no mascarpone – massa em formato de arroz, com queijo mascarpone cremoso – uma delícia que lembra um risoto super bem feito.

Hoje já não chamo mais de “boizinho” (acredito que seja, de fato, uma vaca) e carne vermelha já não é mais meu prato favorito, mas a Rubaiyat segue sendo top of mind, com bom atendimento e carnes de qualidade. Para mim, traz boas lembranças do meu tempo de criança, e proporciona bons momentos – como esse dia que meu pai conheceu o pai do namorado e todos sobreviveram.

(Rubaiyat Rio – End.: Rua Jardim Botânico, 971 – Tel.:(21) 3204-9999 – http://rubaiyat.com.br/) 

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