Dois hamburgueres, alface, queijo….

Cada ano somos surpreendidos por uma nova moda em termos de comida e restaurantes. Acho que tudo começou com os tais “konis” e foi se expandindo para outras áreas, como os quase extintos frozen yogurts e os bem-sucedidos bar de tapas. Parece que nos últimos tempos a moda são as cervejas artesanais (graças ao bom deus não somos mais obrigados a tomar skol), os hambúrgueres e, mais recentemente, o surto das paletas mexicanas.

Como já disse aqui, ando em uma busca épica por hambúrgueres de qualidade em terras cariocas, fortemente facilitada pela moda atual e que pode até ajudar quem fica aí no carnaval e tá na dúvida de onde fazer aquele lanche pra salvar da bebedeira.

O utro dia, chegando para uma reunião em um cliente, vi uma loja que foi logo para o topo da minha lista de lugares a conhecer nessa saga. No mesmo dia, à noite, saí do pilates e fui lá testar: o Meating fica na Gávea, quase grudado no Zona Sul, é pequeno, bem iluminado e bem amarelo (letreiro e iluminação amarelas, creio eu, como forma aumentar a ansiedade e sensação de fome).

Como na maioria das outras hamburguerias que estão sendo (foram) inauguradas no Rio nos últimos tempos, o cardápio é pequeno, as opções são poucas, mas a proposta é muito sabor e boa qualidade dos discos de carne feitos, cada um, com seu segredo e ingrediente especial – “caseiro”, “da casa”, etc, são termos muito empregados por esses estabelecimentos.

São duas opções no cardápio, tanto de hambúrguer quanto de chips para acompanhar: aqueles vêm nas combinações clássico ou indie, e estas podem ser batatas fritas clássicas ou chips de batata doce. Os hambúrgueres chegam devidamente embrulhados e são identificados por adesivos coloridos (um verde, outro vermelho) grudados nos papel, para evitar aquele momento constrangedor quando você morde o sanduíche e descobre que não é o seu. Pedi um, o namorado pediu outro – o meu era o mais simples; o dele, o mais elaborado.

IMG_2128As batatas fritas tradicionais vêm com um pouco da própria casca da batata e os chips são bem fininhos e crocantes. Já no quesito hamburguer, o parabéns vai para o pão: apesar de ser tipo pão de hambúrguer, que tradicionalmente é massudo, aqui eles conseguiram fazer um pão de batata bem levinho. Quanto ao recheio em si: o meu, na versão classic burguer, com queijo gouda, alface, tomate e molho clássico, veio com a carne ao ponto pra mal (tava rosinha no meio) e macia, mas de resto, o hamburguer não é memorável: pouco saboroso, o molho e o queijo somem, e os sabores mais evidentes são do tomate e da alface.

O do namorado, na versão indie – com queijo emmenthal, bacon no caramelo de Jack Daniel`s e molho aioli -, apesar de ter mais sabor que o meu, também ficou abaixo de nossas expectativas; o caramelo de Jack Daniel`s é imperceptível e o molho aioli passou batido.

Para completar, as opções de cervejas eram poucos e caras – fomos de Heineken mesmo, que estava menos gelada do que o exigido pelo paladar dos cariocas. Saí de lá decepcionada, insatisfeita e com uma vontade maior ainda de comer um bom hambúrguer.

Alguns dias depois, querendo inovar no meu horário de almoço, lembrei de uma hamburgueria surgida nessa onda, escondida aqui no Centro, ao lado de um dos meus restaurantes favoritos (Escondidinho).

Beco do Hamburguer fica no Beco dos Barbeiros, entre a Rua do Carmo e a Rio Branco; a loja é pequena, não tem garçom e como as demais hamburguerias da cidade, não prima pela variedade. As mesas do salão podem ser facilmente reorganizadas para acomodar grupos maiores ou menores; a bancada, com banquetas altas, é boa para quem vai sozinho e, em dias de menos calor, pode-se sentar também na bancada ao lado de fora.

Eles tinham tudo para serem fuscados pelo sempre lotado Escondidinho – possivelmente a melhor costela de boi servida no Rio de Janeiro, forma filas mesmo antes do meio dia-, mas os caras têm talento.

A única opção de hambúrguer, com carne de Angus (um ótimo começo), versão single ou double, pode ser incrementada com bacon, queijo, salada e molhos da casa. Para acompanhar, a clássica batata frita e o refrigerante – em lata, ou em refil, para o cliente mesmo se servir na máquina.

Você entra na fila, paga, recebe um copo de plástico caso tenha escolhido a opção de refrigerante refil e aguarda ser chamado por um dos atendentes quando seu pedido estiver pronto. A máquina de refrigerante é da Coca-Cola e fica ali perto do balcão; ao lado, um cooler com gelo – como o cooler fica aberto, o gelo derrete bem rápido e os mais desatentos podem acabar com mais água do que gelo no copo. Fiquei por ali olhando os hambúrgueres serem preparados e vi eles usando umas tampas de panela para cobrir o hambúrguer e, suspeito eu, ajudar o queijo a derreter.

IMG_2172Me acomodei na bancada e logo que desembrulhei a trouxinha soube que aquele seria um excelente hambúrguer: o pão é mais uma delícia elaborada pela Arte Conventual (que já contei aqui), a carne é suculenta (o discos de hambúrguer são feitos todos no próprio dia), o queijo estava bem derretido (olha o truque da tampa aí!), o bacon crocante e todos os molhos acrescentam mais sabor. Tem um pote de alho picado frito que você colocar também, mas em meio a tanto sabor, ele não faz muita diferença – sorte minha que não fazia muita questão do alho, pois como os potes eram escassos e o restaurante lotado, alguém veio, pegou o pote, e nunca mais voltou. A batata frita já vem com algum tempero (acho que era pimenta) para dar mais sabor e completar a experiência. Isso sim é um bom hamburguer!

Nesse dia, enquanto saboreava aquela delícia, mandava fotos e descrevia tudinho para o namorado, que ficou salivando láááá na Barra e me fez prometer que iríamos provar o famoso hambúrguer do Comuna, pra compensar a experiência decepcionante do Meating.

Depois de semanas falando só nisso, finalmente, no sábado pré-carnaval com ameaça de forte chuva, fomos parar no Comuna, com mais um casal de amigos.  O namorado não perdeu tempo e foi logo pegando o cardápio para escolher o hambúrguer – quem conhece ele, não teria dúvidas de que ele iria no Trash Humpers – basicamente o hambúrguer mais cheio de bacon e coisas de bacon que já vi em um cardápio.

Dá minha mordida, posso dizer que achei o pão (brioche de cacau) uma delícia e a carne bem temperada. O namorado jura que as tiras de bacon (efetivamente) caramelizadas estavam bem crocantes (como a gente imagina que devam ser naquelas cenas de desenhos animados de antigamente), em harmônica oposição ao queijo derretido e à maionese de bacon. Os únicos “poréns” são: o queijo fica escondido pelo tempero (sensacional) da carne; e, como tudo leva bacon, é difícil falar qual era o gosto da maionese. Suspeito que esses “poréns” não foram suficientes para o namorado rebaixar a nota do hambúrguer e que terei que voltar lá para provarmos outras opções.

Bacana é que pão com carne será eternamente uma boa combinação e nunca fica enjoativo, já que cada um tem sua mistura, seu truque, seu ingrediente secreto que deixa a gente com gostinho de “quero mais”.

Pode ser bem roots e tradicional (Hell’s Burguer), ou mais leve se você está fugindo de comidas pesadas. Pode ser o prato principal em um restaurante da moda que cobra os olhos da cara (Irajá Gastrô), ou pode ser uma receita caseira, pra não estourar muito o orçamento do mês. O hambúrguer transita bem por vários ambientes e combina com diversos acompanhamentos – por aqui, a especialidade da categoria é preparada pelo namorado: hambúrguer de carne com recheio de queijo e coberto com geléia de pimenta.

(Meating Homemade Burguers – End.: Rua Marquês de São Vicente, 03 – Loja B – Tel.: 3114-0660 – http://www.ilovemeating.com.br/)

(Beco do Hamburguer – End.: Beco do Barbeiros, 6a – Tel.: 3970-5311 – http://www.becodohamburguer.com.br/)

(Comuna – End.: Rua Sorocaba,  585 – Tel.:3029 – 0789 – comuna.cc)

 

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