Entreatos

De todas as viagens que fiz, só uma foi decentemente fotografada; fui ao Uruguai com o querido amigo João – jornalista, ele aprendeu a tirar fotos e possui uma máquina dessas boas mesmo – que documentou lindamente os lugares por onde passamos. Foco, contra-luz, diafragma: todos termos exóticos, que me deixavam tonta e me impediam de tirar fotos dele.

Mas resolvi dar um basta! Chega de fotos com pés cortados, mal enquadradas e que não tenho coragem de mostrar para ninguém; pedi uma câmera semi-profissional emprestada e me inscrevi no curso do Ateliê da Imagem.

Quando comentei com o namorado, ele mostrou interesse também e lá estamos nós: aulas aos sábados, das 10h às 13h, ali na Urca, esperançosos de que as fotos da viagem de carnaval sejam melhores que as da viagem de Réveillon.

Se, normalmente, ao meio dia, minha barriga já grita de fome, às 13h é difícil pensar e tomar qualquer decisão. Para evitar demoras e desavenças, resolvi já deixar marcado um lugar para almoçarmos. Lembrei de ter ouvido falar bem de um novo bistrô francês ali por Botafogo.

La Villa (o nome causa certo desconforto, já que seria mais natural um ao final) instalou-se em uma daquelas fofas casas da Álvaro Ramos, com espaço na frente, pé direito alto, que dá direito a mezzanino e um espaço ao fundo que parece ser aberto (mas que não consegui confirmar o uso).

O ambiente é escuro, bom para jantares e ocasiões românticas; as paredes são de tijolo aparente, desses mais destruídos mesmo; as mesas são de metal escovado, com um centro preto. Recebemos de cara o cardápio e fui logo pedindo a carta de vinhos – ao que a garçonete respondeu: está aí também, nossa carta de vinhos é bem reduzida, nas duas primeiras páginas do cardápio. Os rótulos são de boa qualidade e conseguiram manter os preços dentro de um padrão de razoabilidade.

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Pulamos o couvert e a entrada e escolhemos direto o prato principal: eu fui de risotto; o namorado foi de entrecôte.

O entrecôte do La Villa vem com batatas fritas (com casquinha), leito de cebola confit e molho poivre, servido à parte e sem miséria – molho escuro, de consistência média, com as bolinha de pimenta do reino. O filé estava mesmo bem macio, mas é para quem gosta de carne quase viva; em dado momento, o namorado pediu para abrir o entrecôte para que ele ficasse mais bem passado.

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Meu risotto era uma opção vegetariana do cardápio, com cogumelos e queijo Reblochon. Tenho uma paixão indescritível por queijo Reblochon – super caro e um pouco difícil de achar por aqui, não é para os de coração fraco. Os cogumelos – sortidos – estavam bem carnudos e também vieram sem miséria; o queijo foi usado na medida certa para dar mais gosto, sem ficar enjoativo; e as ervas do tempero ajudam a equilibrar bem o paladar. O prato é bem servido, mas tava tão bom que não deixei nada pra contar história.

Já que não comemos nem couvert nem entrada, nos declaramos merecedores de uma sobremesa para cada e, mesmo assim, tivemos dificuldade para escolher entre as inúmeras opções do cardápio que dão água na boca. Optamos por duas sobremesas que poderiam ser consideradas mais tradicionais, mas que, aqui, receberam um tatamento vip e ficaram mais que especiais: o petit gâteau e a torta de limão.

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O petit gâteau, como o cardápio já avisa, demora 20min, mas vale muito a pena: é um bolinho leve de doce de leite, bem molhadinho, sem aquele recheio que sai alagando o prato, nada enjoativo. Mas ficou devendo no bourbon – não senti muito o gosto (pelo visto, isso é tendência).

 

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Já a torta de limão me levou ao sétimo céu: massa de biscoito bem leve, recheado com creme de limão, com gosto mesmo de limão, bem diferente dos tradicionais recheios que levam leite condensado em excesso, coberto com merengue brûlée, que era mais docinho e tinha uma consistência mais cremosa também. Concluí que a confeiteira, que segundo a garçonete Wilma (ou Vilma) é premiada internacionalmente, merece todos os prêmios que recebeu.

 

Fechamos com um cafezinho (Lavazza), que vem acompanhado de um minibrownie com castanhas do Pará – para mim, uma delícia, para os alérgicos, pode ser uma calamidade.

A conta vem em uma caixinha fofa personalizada com a logo do restaurante; o couvert foi cobrado por engano, mas foi logo retirado, sem dramas – um dos sintomas dessa mania nacional que os garçons têm de ir logo te trazendo o couvert é que constantemente vem essa cobrança equivocada.

O ambiente é bacana; a comida, uma delícia; a garçonete é muito simpática e ainda tem um dono (ou gerente) por lá que fala com sotaque: belo prólogo para uma comemoração; “intermezzo”  para uma visita à Casa Daros; ou epílogo ótimo para uma manhã fotogrando.

(La Villa – End.: Rua Alvaro Ramos, 408 – Tel.: 2542-2771 – http://lavilla-rio.com.br/)

* Em tempo: foram mais de 700 fotos durante o carnaval, todas mais “conceituais” e “artísticas” que as tradicionais fotos de viagem. Ou seja, sigo sem muitas fotos para mostrar.

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