Mulheres brasileiras (não) engordam

Há pouco tempo fiquei sabendo que minha avó materna teve doze irmãos/ irmãs; foram, ao todo, treze filhos, em uma época quando nem todos tinham a sorte de passar pra próxima fase no jogo da vida. Graças à ciência, as crianças passaram a viver mais e minha família diminuiu vertiginosamente o número de filhos/filhas por geração; minha mãe e minha tia tiveram somente uma filha cada. Minha prima e eu temos um bom gap etário, somos fisicamente bem diferentes, mas ambas herdamos o gosto pela comida e pela comida, assim como alguns parafusos a menos.

Fui, então, visitá-la em Teresópolis para que não tivesse desculpas para não estarmos juntas no meu aniversário. O local escolhido foi o La Cave – um bistrô francês, na rua principal de Teresopolis (na reta), uma portinha tão pequena que passou despercebida quando cheguei na cidade. Éramos 4: prima e marido, namorado e eu.

A primeira coisa que me chamou atenção foi a seleção de vinhos, para evitar aquela carta antipática com vários adesivos vermelhos indicando que o vinho está em falta, o dono optou por não tê-la; o próprio cliente passeia pelo bistrô, olhando os rótulos dispostos pelas prateleiras ao longo das paredes, escolhe seu vinho et violà: é só entregar para um garçom e pedir para resfriar (muito ou pouco), antes de servir. A única coisa um pouco desconfortável desse arranjo, era a falta de indicação de preço em alguns rótulos. Escolhi um Tempranillo que estava com um ótimo custo-benefício e foi tão bem recebido e elogiado que acabamos por tomar umas três garrafas.

A casa também dispõe de uma seleção de cervejas especiais, entre elas a Terezopolis, que o namorado tradicionalmente rejeita, mas que aqui encontrou uma variedade adequada ao seu paladar: uma Ipa, chamada Jade, indicada pelo chef.

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Pedimos duas entradinhas para dividir por 4: um steak tartare e uma mini cocotte gratinada. Originalmente iríamos pedir o tartare e uma outra entrada de cogumelos recheados, que no papel parecia excelente, mas como o namorado não come nem um, nem outro, gentilmente convenci a prima e o marido a pedirem a cocote. A cocote eram cubos de filé mignon, hiper macios, em um molho cremoso, com queijo e pimenta, servidos com pãezinhos para passar no molho e  foi elogiadíssima; o tartare estava bem temperado (me parece que sem, ou bem pouco, molho inglês) e vinha com chips crocantes de batata (bem fininhos, bem sequinhos, e com pouco sal).

No quesito prato principal, minha prima foi de filé mignon com risotto de queijo brie, que merece meus parabéns – o risotto estava no ponto certo (quem já tentou fazer um risotto em casa sabe que é muito fácil ele ficar empapado, duro, ressecado, e inúmeras outras possibilidades que realmente me fizeram apreciar muito este risotto) e o tempero equilibrava bem o queijo brie para não ficar enjoativo.

O marido da prima pediu o Shoulder Steak de Angus, servido com molho bordelaise, aspargos frescos, cenoura, tomate confit e cebolas caramelizadas; tanto no papel, quanto visualmente, era o prato mais bonito e colorido, desses que a nutricionista diz pra gente montar, mas no quesito execução, ele ficou atrás dos outros pedidos. Estava com nervos, foi difícil de cortar, e os ingredientes não estavam especialmente saborosos.

O namorado, como não podia deixar de ser, pediu short rib de porco, servido com purê de batata doce, compota de abacaxi apimentado e crisps de alho-poró. Ao contrário do Angus, o lombinho estava bem macio, desfiando no prato, bem temperado e o crocante de alho-poró fez um bom contraste com os purê e a compota.

IMG_2913E por último, mas escolhido o melhor prato da noite, o meu gnocchi de funghi. Ultimamente, conversando com amigos, percebi que o gnocchi não é tão bem-quisto quanto eu acreditava; entendo as objeções, já que realmente é difícil acertar o ponto dessa massa, mas sigo acreditando que um bom gnohcci é imbatível e este aqui é prova disso. Nesse caso não era um simples gnocchi de batata com molho funghi; tinha funghi no próprio gnocchi (daí sua coloração escura), o molho era cremoso com pedações de funghi também, e alguns quadradinhos de cenoura deram a crocância para equilibrar as texturas do prato. Fiquei maravilhada com esse prato: fiz questão de elogiar o dono do bistrô, falar com o chef que elaborou essa delícia e indicar o prato para todos os amantes de funghi.

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Para fechar, o namorado pediu um crème brûlée – que não estava lá essas coisas – e eu fui de torta de limão siciliano com chocolate branco e farofa de amêndoas, que, apesar de bem gostosa, merecia outra descrição; estava mais para bolo de amêndoas com creme de limão, com a participação especial de alguns pedaços de chocolate branco.

Porém (ah, porém) nem tudo são rosas e descobrimos da maneira mais dura e cruel que sábado à noite é dia de música ao vivo (voz e violão). Passada a irritação inicial, e algumas taças de vinho, fomos até pedir uma música – quem nunca?

(La Cave Bistrô – End.: Av. Oliveira Botelho, 499 loja 1, Teresópolis – Tel.: (21) 2642-3862 – http://lacavebistro.com.br/)

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