O que os Lusíadas nos ensinaram sobre culinária

Quem mora na Barra é constantemente motivo de comentários maldosos e fatalmente é tratado como alguém que mora em outra cidade; da mesma forma que sempre que vou à São Paulo, aviso meus amigos que moram por lá, as pessoas sempre ligam para os amigos habitantes da Barra quando passam por ali. Aí, quando o irmão do namorado foi com a esposa fazer compras nesse distante condado, ele ligou e marcamos de almoçar com ele – mais para ver a filha linda dele, do que qualquer outra coisa.

Escolhemos o Mensateria, em plena Av. das Américas, logo ali na esquina de quem pega a ponte Lucio Costa, com um formato de estacionamento meio duvidoso, já que não fica claro se há ou não manobrista, tampouco se você está parando em local reservado aos taxis.

Quando você sai para almoçar com um bebê de carinho, precisa contar com a boa vontade do pessoal do restaurante para ser acomodado em uma mesa que possa ser mexida, rodada e que tenha espaço para o carinho – talvez até inutilizando uma outra mesa – e, nesse quesito, o garçom e o resto da equipa do restaurante foram “cinco estrelas”. Conseguimos uma mesa de canto, com espaço para o carrinho em uma cabeceira; eles deslocaram uma outra mesa para ficarmos mais confortáveis; mudaram a direção do vento do ar-condicionado e, em momento algum, nos olharam torto quando a bebê fez algum barulho.

A especialidade do restaurante é comida portuguesa e, por óbvio, a carta de vinho é repleta de opções lusitanas; dentre elas, mais de um rótulo de vinhos alentejanos por um valor ótimo (R$ 60,00 a garrafa de um bom vinho do Alentejo em um restaurante carioca é quase lenda urbana).

Como não podia deixar de ser, pedimos uma porção de bolinhos de bacalhau de entrada. O legal  de pedir pratos e petiscos que parecem lugar comum é ver a criatividade e ser surpreendido pela inventividade de cada nova casa: aqui o bolinho é servido com um molho especial à parte, feito com azeite, azeitonas e alcaparras. Me dividi entre esse molho, que estava uma delícia, e o molho Piri-Piri que a casa também oferece (uma espécie de tabasco tipicamente lusitano).

IMG_2696De prato principal, o papai e a mamãe da bebê escolheram um dos carros-chefe do restaurante, o Lombo Viseu (R$ 121), uma frigideira (enorme) de lombo de bacalhau que serve praticamente 4 pessoas. Servido com dentes de alho (gigantes), bem temperado no azeite e sem aquele cheiro forte de maresia, os pedaços de carne bem branca chegam à mesa envoltos em uma capa dourada do tempero. O prato estava tão bem preparado, que até o brocolis, primo pobre dos demais acompanhamentos do prato (batatas ao murro e arroz de tomate, molhadinho e servido em dois potinhos pequenos), foi elogiado.
IMG_2698O namorado foi de Mignon Minho, uma receita de filé preparado na manteiga de sálvia, servido com arroz de açafrão e crisps de parma. O mignon estava macio que nem manteiga; o arroz, bem saboroso, estilo risotto; o crocante de parma é a parte divertida do prato; só a tal sálvia que nem deu as caras.

Meu prato era a única opção do cardápio com cordeirinho: Cordeiro Santana, desossado, com risotto de alho-poró.IMG_2701 A primeira coisa que chama atenção no prato é o Monte Everest de alho-poró que vem por cima do prato – crocante, saboroso e visualmente interessante – mas que torna praticamente impossível ver o cordeiro e o arroz que vêm por baixo.
Ultrapassada a barreira inicial, cheguei ao cordeiro, servido em pedaços macios, com um pouco da gordura, temperado com cebola e molho de vinho; o sabor estava impecável. O risotto leva pimenta vermelha e é servido em quantidade considerável.

A sobremesa também foi uma trinca: pudim de clara com creme inglês – que na verdade era um pudim de leite com crosta de amêndoas, bem levinho e crocante -; rocambole de chocolate com recheio de doce de leite e sorvete – que é bem equilibrado e nem um pouco enjoativo, já que o chocolate é meio amargo e o doce de leite, não tão doce -; e um toucinho do céu – um pouco diferente do toucinho que costumo ver por aí, pois estava mais parecido com um biscoito de amêndoas.

O café expresso é Lavazza e o restaurante faz parte do Guia Eat in Rio. Uma jóia da culinária portuguesa, escondida na Barra a uma preço bem mais acessível. E aí fica a dúvida: qual será o próximo restaurante do Guia que iremos ?

(Mensateria – End.:Av. das Américas, 1155 – Tel.: (21) 2486-2020 – http://www.mensateria.com.br/contato.php)

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