Zen e a arte de cozinhar

Acho que nunca fui dessas pessoas que chamamos de mão de vaca; pelo contrário, não me incomodo em pagar um pouco mais pelo que considero uma boa comida. Mas, já que o dinheiro parece cada vez acabar mais longe do fim do mês, estou me adaptando psicologicamente a fazer compras no Guanabara e comer em casa mesmo, para cortar as frequentes idas aos restaurantes.

Confesso que a tarefa é árdua; os gens de adequação à cozinha não alcançaram a minha geração e meus exemplos em casa não foram dos melhores. Minha mãe frequenta a cozinha em marcha ré e sua especialidade era (possivelmente ainda é) chocolate quente; meu pai, muito mais “aventureiro”, é mestre em ovos mexidos com queijo e presunto. Conclusão: minhas habilidades culinárias sempre se limitaram a requentar comida e ligar para o delivery de todos os restaurantes.

Buscando superar essa limitação, no final de semana, com o apoio e a ajuda do namorado, fui para cozinha. Selecionamos o cardápio, fomos às compras com foco nas receitas escolhidas (e mesmo assim foram quase duas horas da minha vida que perdi dentro de supermercado) e fui positivamente surpreendida pelo resultado: um belo supremo de frango à kiev, acompanhado de risotto de arroz negro e salada verde.

O processo de preparação é bem longo, por isso, tenha paciência: coloque uma música, separe uns petiscos e já abra o vinho.

Para o risotto de arroz negro, refoguei a cebola bem picadinha em azeite; quando ela estava no tal ponto translúcido, joguei alho picadinho e cogumelos portobello fatiados. Deixei cozinhar um pouco antes de adicionar o arroz negro para refogar e em seguida, o vinho branco (optei pelo mais barato disponível no mercado).

Depois que o vinho evapora, vem a parte entediante na qual você deve adicionar concha por concha do caldo legumes – por preguiça e/ou praticidade, caldo de legumes pra gente é água com dois sachês de sazon. Não tão saudável quanto um verdadeiro caldo de legumes, essa solução dá pro gasto quado você não é o Jamie Oliver que guarda caldos congelados no freezer para se ter sempre à mão.

Temperei tudo com pimenta vermelha em flocos e mix de pimenta do reino moída na hora – como esses caldos de legumes já são bem salgados, coloquei só uma pitadinha de sal mesmo. O arroz negro é bem duro, então são necessários calma e bastante caldo para que ele chegue à consistência bacana de um risotto.

Enquanto isso, o namorado foi preparando o frango. Para o recheio, bacon defumado (bem torradinho, sequinho e crocante) cortado em pedacinhos; salsinha e alho picadinhos e manteiga para fazer uma pasta; tudo devidamente misturado, colocamos a pasta no freezer para ficar dura antes de ir para dentro do frango.

O peito de frango deveria ser desses mais rechonchudos para ficar fácil rechear, mas como não era o caso, ao invés de abrir o peito de frango todo, o namorado fez um furo no pedaço mais gordinho e nós ficamos torcendo para dar certo (assim, dá pra dispensar aqueles insuportáveis palitos que sempre vêm segurando os enroladinhos que se come por aí). Para empanar, as tradicionais farinha de trigo e de rosca – esta última temperada com um pouco de pimenta do reino – e ovos.

Apesar da bagunça de farinha com ovos, o restante do processo para fritar o frango foi tranquilo: usamos a Air Fryer, dispensando o oléo e permitindo que o fogão sobrevivesse quase intacto às nossas aventuras na cozinha. Para deixar o frango mais moreninho, como se tivesse sido frito em óleo mesmo, cubrimos ele com um pouco da manteiga do recheio.

A salada consistiu de: ervilhas tortas cozidas no vapor, que depois foram para a frigideira com manteiga e um toque de azeite (dica da minha tia -avó que disse que o azeite não deixa a manteiga queimar); alface crespa roxa; agrião e tomatinhos cereja (só para mim), tudo regado com molho de limão siciliano, azeite e pimenta.

Mais de meia garrafa de vinho e quase duas horas depois de começarmos esse processo de preparação, o almoço finalmente estava pronto. Pusemos a mesa, montamos os pratos e apreciamos (eu, com calma e o namorado, bem rápido) o resultado do nosso esforço.IMG_3603

O frango é receita tirada do livro do Jamie Oliver Comfort Foodo risotto é de uma leve adaptação de uma receita da internet, que escolhemos a dedo já que queríamos muito usar o arroz negro da dispensa (http://holycowvegan.net/2014/04/black-rice-risotto.html); e o vinho foi um Porca da Murça, um português leve, de ótimo custo-benefício. Apesar da minha inaptidão, achamos tudo tão gostoso que nosso almoço caseiro mereceu esse post e virou quentinha para levar pro escritório.

 

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