M.O.M.

Tolstoi disse que “all happy families are alike; each unhappy family is unhappy in its own way“; dito de outra forma: mãe é tudo igual, mas cada uma é louca à sua própria maneira. Em meio a reclamações de que o mundo anda excessivamente consumista, anualmente nos curvamos e saímos para celebrar a loucura de cada uma dessas mulheres que nos deram tanto: tanto amor, tanta atenção, tantos cabelos brancos…

Esse ano, pela primeira vez em sei lá quanto tempo, íamos passar o dia das mães sozinhas: Mamãe e eu. Resolvi, então, buscar alguma novidade para que a data fosse bem especial. Escolhi o Puro, um dos novos points do Jardim Botânico, instalado em uma bela casa de três andares na esquina da Visconde de Carandaí com a Pacheco Leão.

Já na terça-feira antes do dia mães liguei para tentar uma reserva e, apesar de todas as minhas súplicas, não consegui guardar um cantinho para nós, pois, segundo o rapaz que me atendeu, eles só reservam 25% das mesas; as demais são para os comensais que vão chegando. Liguei novamente no dia seguinte e a resposta foi a mesma. Conclusão: domingo, saí cedo de casa para buscar minha mãe e garantir que estaríamos na porta do restaurante às 13h, evitando aquele sofrimento de espera de mesas.

Mas meus problemas com o almoço ainda não haviam terminado: o valet chegou atrasado; estava difícil conseguir vaga; e já tinham três carros com pisca-alerta ligado esperando o único manobrista retornar. Decidi dar a volta eu mesma e deixar meu carro no estacionamento da Lopes Quintas (corta; fast forward to a few hours later; pagamos R$ 26 por duas horas de estacionamento). Mamãe, enquanto isso, ficou no restaurante me esperando e fazendo amizade com os garçons.

No primeiro andar da casa, algumas mesas internas, outras na varanda e um bar; no segundo andar, a cozinha aberta, de onde chefs, sous-chefs e ajudantes de cozinha davam um “boa tarde” bem caloroso às mamães que passavam por ali; no terceiro andar, o salão principal, com mesas internas e externas, uma parede decorada com gigantes carretéis de linha, janelões que garantem um ambiente bem claro e espelhos para aumentar o espaço.

O cardápio e a carta de vinhos vêm em uma espécie de prancheta mais chique: uma tábua de madeira bonita, com o nome do restaurante, e as folhas com os pratos e vinhos são presas por elásticos nas extremidades. Os garçons, bem simpáticos e atenciosos, usam um avental de linho rústico. IMG_3855

A carta de vinhos possui uma quantidade razoável de bons rótulos com um bom custo-benefício (entre R$ 80 e R$120, por exemplo). Para acompanhar o belo domingo de sol, fomos de Pinot Grigio, que ficou num balde de gelo ali ao lado da mesa para manter a temperatura certa. Para beliscar, escolhemos os chips de raízes com sal de limão picante; os chips são fininhos e crocantes, bem sequinhos e o sal dá um toque a mais, uma mistura de salgado, com cítrico e uma leve picância.

Mais de uma opção do cardápio saltava aos olhos e os garçons estavam bem dispostos para explicar qualquer coisa que a gente não tivesse entendido. IMG_3859De prato principal, Mamãe optou pelo carro-chefe da casa: matambre de boi breaseado, com abóbora caramelada e farofa de erva mate. Matambre, descobri no restaurante, é um pedaço de carne entre a pele a costela do boi; lá no Puro, eles enrolam o matambre com legumes, amarram com barbante, selam, e cozinham por muitas horas. O resultado é uma carne saborosíssima e muito macia, merecedora do status que lhe foi atribuído. A abóbora, servida no ponto certo de cozimento, estava doce (lembra um pouco aquela calda de caramelo de pudim de leite) e fazia o contra-ponto ideal da capa de costela mais salgada. A farofa, servida em pouca quantidade, acabou ofuscada.

IMG_3861Eu fui de pato, uma preferência pessoal. Peito e coxa desossados, cozidos na panela (também) por longas horas, com molho de cogumelos, vem acompanhado de purê de batata e farofa crocante. A farofa, de mandioca, estava bem crocante e parecia ter um toque de erva doce – ao contrário do matambre, aqui ela vem servida em grande quantidade. O purê é desses com gostinho de casa da avó, super cremoso e saboroso. O pato, que tenho a impressão que é uma dessas carnes que não ficam muitos macias (ao contrário da costela), foi feito com pele e pegou bem o gosto dos ingredientes do cozimento. Encontrei mais uma boa opção de pato pelo Rio, pois ficou uma delícia.

De sobremesa, Mamãe optou pelo arroz de leite com doce de leite e farofa de cuca. Pessoalmente, eu acho que não tem como dar errado: leva leite, doce de leite e farofa de cuca (cuca, pelo que averiguei, é o abrasileiramento de “kuchen“,  “bolo” em alemão, então, farofa de cuca, nada mais é que uma farofa de massa de bolo – procede?), crocante e doce na medida certa.

IMG_3867Para mim, mousse de chocolate 70% com flor de sal e azeite. Pode parecer uma mistura estranha, mas o sal e o azeite, somados às raspas de limão, criam um ótimo equilíbrio para a doçura do chocolate; a textura da mousse era algo completamente único, cremosidade aerada, textura de manteiga com claras em neve, a epítome perfeita de tudo que uma mousse deve ser.

Pedi um cafezinho para terminar, que, como o resto da louça de barro, pintada de cor escura para parecer pedra, também vem em uma xícara mais roots – sem asa. Era claramente um dia especial, todas as mesas pareciam celebrar o dia das mães e o restaurante não deixou passar desapercebido: ofereceu financiers de castanha do pará de lembrança para as mamães.

Dentre os pratos principais da casa, o mais em conta era o hambúrguer por R$ 48 (que pelo que vimos, é um senhor hambúrguer); e o mais caro, um prato com camarão VG, saía pela bagatela de R$ 96. Mas no geral, os valores dos principais variavam pela casa dos R$ 50 e as sobremesas custavam algo em torno de R$ 20.

Deixo aqui um alerta aos vegetarianos que, nesse dia das mães, ficariam órfãos de pratos principais (somente duas entradas e os itens da seção “Beliscar” do cardápio eram meat free).

Desejei feliz dia das mães ao vivo e em cores para minha mãe, mas fiquei pensando em todas aquelas outras pessoas que, por uma razão ou outra, também foram um pouco mães: os pais solteiros, viúvos e separados que aprenderam a ternura adicional para cuidar dos filhos longe das mães; os avôs e avós que educaram a segunda e a terceira (às vezes, quarta) geração; os tios, tias, primos e padrinhos que cuidaram e amaram como se seus filhos fossem. Já que cada família é única, celebremos de maneira única cada uma dessas pessoas que nos deu a mão, nos deu colo, nos abraçou com tanto carinho que poderíamos chamar de mãe.

(Puro – End: Rua Visconde de Carandaí, 43 – Tel.: 3284-5377 – http://www.purorestaurante.com.br/ )

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