“What’s my age again?”

Durante anos fui a pessoa mais nova da família e por isso mesmo me acostumei logo cedo às manias das pessoas (mais) velhas. Quem convive com pessoas dessa faixa etária percebe de cara que eles são creatures of habit: pessoas (mais) velhas tendem a ir sempre ao mesmo restaurante, optam por serem atendidos pelo mesmo garçom e invariavelmente desencadeiam o processo de preparação de sua comida ou drink habitual desde que despontam na porta do restaurante.

Entendo perfeitamente a comodidade e o aconchego de ir a um lugar onde todos sabem seu nome, te atendem com toda atenção e cordialidade e você pode, na maioria das vezes, pedir pratos que nem aparecem no cardápio.

Mas eu (ainda) não sou uma pessoa (mais) velha e por isso (ainda) gosto muito de conhecer lugares novos. Foi numa dessas investidas que o namorado e eu acabamos em um pequeno restaurante escondido em uma das rua paralelas de Botafogo.

O Assunção fica na rua homônima, ao lado de uma casa de festas infantis, e próximo a um estacionamento desses onde você ainda pode parar seu próprio carro, mas que é tão apertado que você até reza por um RouboPark genérico com  manobristas na entrada.

IMG_3500O restaurante é pequeno e escuro, possui um bela cristaleira que domina o espaço, as paredes são de tijolos aparentes. Complementando o clima: as mesas são de madeira pesada, sem toalha, e os lustres têm fios aparentes retorcidos. Resumindo: seria mais apropriado para um jantar romântico, mas como nós não somos implicantes (nesse quesito), relevamos e nos acomodamos para almoçar.

A carta de vinhos é hiper reduzida e nenhum dos rótulos disponíveis parece valer os preços que estavam sendo cobrados. Fui de Cosmopolitan (caprichado no álcool, mas sem muito sabor dos outros ingredientes) e o namorado foi de Cerveja (as garrafas aqui são de 600ml e eles tinham até uma dessas cervejas que passem pelo método Champenois).

IMG_3495De entrada, pedimos rolinhos de beringela recheados com queijo – uma espécie de croquete (servido sem tomate), composto de queijo da serra da canastra envolto em uma fina fatia de beringela e frito. O queijo tem sabor forte e é muito bem equilibrado pela salada de folhas que vem junto com os “croquetes”.

Escolhemos dois pratos principais; o hamburguer e um frango recheado.

O hamburguer mereceria ser mencionado nessas listas sobre os bons hamburgueres do Rio de Janeiro: feito de carne tradicional, é gigante, bem macio e suculento.IMG_3505 O pão é fofo e parece ter manteiga para não ficar muito pesado; o queijo veio em porção farta e estava derretido naquele ponto de esticar um fio quando você o puxa. Para completar, mostarda em grãos e tomatinhos assados, temperados na dose certa; e batatas fritas crocantes e com casquinha.

O frango, uma versão nacionalizada do supremo de frango à kiev, estava especialmente saboroso. O peito de frango era fino, o recheio veio “sem miséria” e a mistura de cream cheese com alho-poró é campeã.

IMG_3509Acompanhando, uma salada verde com molho vinagrete e molho de tomate caseiro – aquela consistência mais cremosa e bem temperado.

 

 

Para fechar a refeição, pedimos também duas sobremesas: bolo de chocolate e mil folhas. Este segundo tinha uma massa que lembrava aqueles salgados folhados, servido com morangos frescos, chantilly  e creme inglês. Sendo uma eterna apaixonada pelo creme inglês e adoradora de folhados, este me decepcionou, simples e nada memorável. IMG_3516O bolo de chocolate vem servido na temperatura ambiente sobre um leite de brigadeiro caseiro quente: a massa é leve fofa e o brigadeiro é mesmo daqueles que você faz em casa e come direto da panela para aproveitar a maratona de Bridget Jones na TNT. Uma delícia calórica, mas que poderia vir em quantidade menor. O cafezinho, nespresso, ajudou a tirar o gosto excessivo de doce da boca. IMG_3515

Refletindo sobre nosso almoço, talvez sejamos menos jovens do que pensávamos: apesar de termos ido conhecer um novo restaurante, preferimos o conforto de pratos familiares.

(Assunção – End.: Rua Assunção, 184 – Tel.: 2537-2732 – www.assuncaorestaurante.com.br)

Trilha do post:

 

 

 

 

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Um comentário em ““What’s my age again?”

  1. Esse post fez-me, com alegria, voltar no tempo… tempo em que frequentávamos com assiduidade o “Restaurante Panelão”. Onde fizemos amigos e, como vc bem o disse, criávamos nossos próprios pratos. Triste por ter encerrado suas atividades. Mas feliz porque reencontramos esses amigos – verdadeiros anjos da guarda – em outro restaurante. Um saudosismo saudável !

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