Barriga llena, corazón contento

Às vezes sou uma pessoa extremamente influenciável, em outras vezes, nem tanto. Por exemplo: quando assisti “Contágio”, no dia seguinte eu acordei com todos os sintomas; mas quando me falam que carne vermelha faz mal, eu tenho dificuldade de acreditar. Tudo bem que cada organismo reage  de uma maneira e que comer um boi inteiro no almoço te deixa mais pesado do que se você ingerir todo um cardume de linguado, mas sendo razoável, poucas coisas satisfazem mais que um belo pedaço de bife.

Por outro lado, para ser bem sincera, comer filé “miau” ou aquele bife cheio de nervos é tão brochante quanto cerveja sem álcool, leite desnatado, coca-cola light e/ou sobremesa diet. Então, depois de passar a semana vivendo à base de salada, frango e tapioca (que virou rainha das dietas agora que ninguém mais come glúten), tudo que queria comer era um belo (e grande) pedaço de boi.

O namorado e eu acabamos optando pelo Tragga, que tem um valor sentimental para nós. Logo na entrada, a hostess foi de uma gentileza incrível com o namorado que está andando com o pé imobilizado e uma muleta. Nos acomodamos no primeiro andar, numa mesa para dois perto da janela e logo trouxeram o cardápio e a carta de vinhos.

Enquanto o namorado avaliava a comida, fui em busca de um bom vinho para acompanhar a carne de qualidade; o primeiro rótulo que escolhi o garçom disse logo de cara que eles não tinham mais. O segundo também. Se o próprio garçom já sabe de cabeça que o rótulo acabou, porque a casa não informa ao cliente sobre os rótulos indisponíveis quando entrega a carta ou desenvolve um sistema com adesivos para indicar o que está em falta na casa?

Superei esse “soluço” inicial reclamando com o garçom dessa falta de organização da casa e pedindo que ele me informasse então quais vinhos eles tinham na adega. Um vinho básico, sem notas memoráveis.

Já que o restaurante é argentino, pedimos chorizos de entrada; dentre as opções disponíveis, pedimos uma meia porção de chorizo misto – são três sabores, um de cada. O primeiro que provamos foi o cordeiro, fininho e bem passado, estava crocante e super saboroso; o segundo foi um tradicional de lombo, mais rechonchudo e bem macio, me pareceu um pouco “lugar-comum”; o terceiro e último foi o picante, de cor avermelhada, é bem picante, mas com um quê adocicado. Acompanhando, tínhamos pão com chimicchurri, azeite e mais chimichurri à parte. (Dizem por aí, que as empanadas também são uma ótima pedida para comer como entrada: massa leve e recheio saboroso.)

IMG_3896Na hora de escolher minha carne para o prato principal, fui pelo peso indicado no cardápio. Os menores cortes da casa, com 250g cada, eram o babybeef e o filé mignon; na outra ponta da balança, o prime rib, com 700g, me fez pensar que a expressão “comer um boi inteiro” deve ser uma referência a este corte.
Fui de baby beef, ao ponto, e o namorado foi de Bife Ancho, bem passado. Meu baby beef não estava nada de outro mundo: apesar de ter vindo no ponto certo, achei a carne um pouco dura e com muitos nervos. Já o Ancho do namorado, mesmo vindo ao ponto, estava macio e saboroso, segundo ele.IMG_3897

Para mim, o ponto alto foram os acompanhamentos: a tal “farofa especial” é o sétimo céu para os amantes de farofa. Super torrada e crocante, leve outros ingredientes para ficar realmente especial. As batatas assadas com creme de Roquefort estavam deliciosas: cozidas no ponto certo (nem dura, nem virando purê), elas vêm com casca ainda e regadas com molho cremoso  de queijo roquefort que para mim estava no ponto certo – para o namorado, o molho estava muito forte e ele preferiu nem comer as batatas.

IMG_3904De sobremesa, já sabíamos o que íamos pedir antes mesmo de nos sentarmos: panqueque de dulce de leche. A massa é fininha; o doce de leite argentino vem servido quente, cremoso em quantidade bem generosa e nada enjoativo; acompanha sorvete de creme e castanhas. Estávamos super satisfeitos depois de tanta comida, mas a panqueque deixa um gostinho de quero mais na boca de tão boa que é (peço licença para usar o verbo no presente, pois comi essa mesma sobremesa todas as vezes que fui ao Tragga e sempre, sempre, ela está indescritivelmente deliciosa).

Me arrependi de não ter encerrado o almoço com a sobremesa: o tradicional cafezinho veio com sabor de grão queimado e bem aguado. O restaurante peca em pontos cruciais e acaba ficando pra segundo plano. Não é ruim, mas também não te faz querer voltar repetidas vezes.

(Tragga – End.: Rua Capitão Salomão, 74 – Tel.: 3507-2235 – www.tragga.com.br)

 

Anúncios

Um comentário em “Barriga llena, corazón contento

Já foi lá? Não foi, mas ficou curiso(a)? Curtiu o post? Me conta tudo aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s