Estômago

Há meses sem sair do Rio, o namorado e eu aproveitamos que Corpus Christi seria o último feriado por um tempo, enforcamos a sexta-feira, e fomos em direção àquele que é possivelmente nosso estado brasileiro favorito: Minas. A cidade escolhida dessa vez foi Tiradentes e, como está na moda, não nos faltaram dicas e sugestões do que fazer e, principalmente, de onde comer.

Saímos na quinta pela manhã (opção acertada, a viagem foi suave, nem Nova Iguaçu estava parada). Fizemos nossa primeira parada ali na entrada de Petrópolis; como a discussão sobre Casa do Alemão vs. Pavelka é mais acirrada do que o debate das últimas eleições, nem vou dizer qual escolhemos para não perder amigos nem reduzir a audiência do blog.

Nossa segunda parada, dica do meu chefe, foi na Leiteria São Luiz, ali em Santos Dumont. Típica parada de estrada em Minas, com vários doces e biscoitos para levar para viagem, também serve lanches e, salvo engano, tem até um hotelzinho. Fomos de mussarela no espeto. A R$ 3,50 cada, saímos de lá felizes e satisfeitos: a porção é generosa e a mussarela vem bem derretida por dentro, como aquela casquinha tostada por fora.

Revigorados e com o estômago forrado, seguimos viagem, sem outras paradas, até Tiradentes. Escolhemos uma pousada um pouco afastada do Centro, que era consideravelmente mais barata que as outras opções disponíveis, deixamos nossas coisas e saímos em busca de um local para o almoço (a essa altura, a mussarela já tinha dito adeus aos nossos estômagos e nos deixou um vazio).

Escolhemos o Virada’s do Largo, ou, para os íntimos, Restaurante da Beth. Fomos de carro, sem nos preocuparmos com Lei Seca, vaga ou engarrafamento e (10 minutos depois de sairmos da pousada) chegamos lá por volta das 3:30pm e nos deparamos com algo que não tinha passado por nossas cabeças: fila de espera de umas 5 ou 6 mesas. Para melhorar, como a demanda é muito grande, eles não servem bebidas, nem aperitivos, para as pessoas na espera (que se conformam com sentir o cheiro incrível que vem da cozinha e admirar os pratos que passam pelo salão).

Aceitamos a fila e, devo dizer, que mesmo tendo ficado uma hora aguardando, não me arrependi nem um pouco. O restaurante ocupa uma bela casa, tem salão principal e algumas mesas numa varanda; as mesas de madeira podem acomodar grupos grandes (e barulhentos); e um pedaço da cozinha pode ser visto do salão. Do lado de fora, uma horta onde o pessoal do restaurante busca ingredientes frescos para fazer comida mineira, com toque especial, saborosa e acolhedora.

DSC_0843Logo de cara pedimos de aperitivo a “Virada Picante” (R$ 39), linguiça da casa, bem temperada, servida com dois molhos de pimenta e uma farofinha (de fubá). Para acompanhar, a cachaça da casa e um feijão amigo. A cachaça envelhecida, servida gelada, é leve e suave; a linguiça é de lombo, bem crocante por fora, sequinha, com pouca gordura e um tempero impecável – não sobra nem falta. O feijão amigo, servido num potinho, me lembrou aquele feijão caseiro, tempero de avó, caldo bem consistente. As pimentas, mesmo a mais suave, não são para os fracos.

Resolvemos pedir o prato que é o carro-chefe da casa: Viradinho da Cozinheira (R$ 96). Como a linguiça e o caldinho vieram super rápido, fomos surpreendidos pela demora do Viradinho, foram uns bons trinta ou quarenta minutos, quando chegamos a pensar que a garçonete havia esquecido nosso pedido. Demorou, demorou, demorou, mas não decepcionou.

DSC_0866O Viradinho pode lembrar aquele arroz que fazem em casa com todas as sobras de comida do fim de semana, mas não se deixe enganar, ele vale muito a pena. Pequenos bifes de filé mignon grelhados, com ovos mexidos, couve cortada mais fina que cabelinho de anjo, cebola roxa picadinha, cubinhos de bacon crocantes e secos, grãos de feijão mulato, arroz branco, pínoles tostados e um tempero carregado no alho: uma quantidade de ingredientes e sabores, quase incontáveis, que juntos criam um prato tão gostoso que é (quase) impossível parar de comer.

DSC_0867Quando conseguimos parar de comer (tristes por não termos um estômago maior), pedimos o cardápio e fomos encarar as opções de sobremesa. Fomos de clássica releitura de “Romeu & Julieta”; sorvete de queijo, com gosto de queijo mesmo, e calda de goiabada cascão derretida, mas ainda com pedaços.

A conta deu um pouco mais de R$ 100 por pessoa (incluindo  doses de cachaça e águas), mas eu tenho certeza que dava para ter dividido o Viradinho com mais duas pessoas.

Já era noite quando saímos de lá, fazia frio, o céu, como há anos não via igual no Rio, claro e estrelado, aquele sentimento de satisfação que só surge após uma boa refeição (com estômagos cheios) e uma pergunta: “Quando a gente volta?”

(Virada’s do Largo – End.: Rua do Moinho, 11 – Centro, Tiradentes – Tel.: (32) 3355-1111 – www.viradasdolargo.com.br/)

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