Qual a diferença entre a pipoca e o Leitão à pururuca?

Parte do charme de Tiradentes são as ruas com calçamento de pedra; um perigo para os idosos e também para o namorado que ainda está se recuperando de umas fraturas no pé, resultado de um acidente de kart (culpa do estagiário).

Para evitar (novos) acidentes e otimizar o tempo (ele anda a passos de cágado), resolvemos fazer um passeio de charrete para ver os pontos turísticos da cidade – igrejas, em sua maioria – e passar logo pra próxima fase, o almoço. Rodamos, viramos, subimos e descemos as ruas de Tiradentes conhecendo o chafariz, as igrejas e outros centros turísticos e descobrimos várias coisas novas com o condutor da charrete. Mas o que a gente queria mesmo era que dessem 14hrs.

Explico: uma outra dica que me deram (da Flavinha – prima, madrinha, e atualmente personal psicóloga) foi sobre o Leitão do Luiz Ney; só aceitam clientes mediante reserva antecipada, numa espécie de grande evento, que ocorre aos sábados e tem início às 14hrs.

O almoço é oferecido na Pousada Villa Paolucci, uma propriedade enorme, com vasto jardim, lago, piscina, com ares bucólicos de filme francês passado na Campagne. Num espaço reservado do jardim, eles montam uma tenda, com cortinas esvoaçantes e mesas individuais para cada reserva; no meio, um bar para preparar bebidas; de cada lado, uma mesa cumprida, onde são colocados os pratos do buffet. Como estamos em Minas, nem preciso dizer que o serviço é de uma simpatia impressionante, mesmo que às vezes eles deslizem um pouco no quesito eficiência.

Ao fazer a reserva por e-mail, recebi um mapa para saber como chegar ao local e o menu descrevendo o que seria servido. Então, a surpresa aqui ficou por conta do quão boa estavam as comidas que foram servidas.DSC_0035

De entrada, bolinha de risotto; uma dessas bolinhas que virou um pouco lugar comum nos últimos tempos, mas que, confesso, me agrada, e muito. Cada mesa recebe um pratinho com alguns bolinhos dourados, crocantes e macios por dentro, mas sem perder totalmente o grão de arroz arbóreo. Adicione-se a pimenta e é gol na certa. DSC_0021

Na mesa do buffet foi servido o clássico pãozinho de queijo (quentinho e caseiro); a linguiça mineira defumada (cortada em pedacinhos, bem torradinha e com um toque mais picante); ragú de carne (carne desfiada, muito macia em um molho de tomate super bem temperado); e polenta branca (dessas cremosas, molinhas, quase um mingau, para comer com o ragú).
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O namorado, que não gosta de tomate, jura que a polenta por si só já estava uma delícia e que caiu muito bem só com a linguiça. Eu, que não tenho essa restrição, comi a polenta com o ragú e depois ainda coloquei uns pedacinhos da linguiça: tava de comer rezando.

A equipe retira as entradas da mesa do buffet e substitui pelos acompanhamentos do leitão e, então, é chegado o grande momento: o Luiz Ney e a filha pururucam um leitão cada, ali mesmo, nos jardins, na frente de todo mundo.DSC_0049

O leitão é assado durante horas, fica de molho em vinho e especiarias, e já chega pronto e sequinho, já que para pururucar não pode ter gordura saltando. Enquanto o Luiz Ney pururuca o leitão (os convivas com celulares em punho para registrar esse momento), ele conta um pouco da história de como ele criou o aparelho de mão que usa para pururucar; tira onda com a cara do Troisgros (que não soube usar o aparelho e queimou o leitão) e explica a origem dessa curiosa palavra: pururuca. Segundo ele, pururuca vem de pororoca que significa o barulho que  o milho faz ao virar pipoca, em alguma língua indígena/ nativa do Brasil.DSC_0062

Quando o primeiro pedaço pururucou a contento dos cozinheiros, finalmente era hora de nos servimos de leitão e acompanhamentos. Para descrever o leitão, cito o namorado: “acho que esse é o melhor leitão que eu já comi”. O namorado é um aficcionado por carne de porco então este é um senhor elogio.

DSC_0068Realmente, a carne do leitão estava macia, saborosíssima, devido à mistura de especiarias, e a casca, sequinha, crocante, imperdível até para quem nunca come a casquinha. Para acompanhar: arroz branco (soltinho, que nem o da vovó); tutu à mineira (tempero puxado no pimentão);  purê de batata barôa (cremoso e com gosto marcante da própria batata); couve (cortada fininha e refogada); e farofa com banana (a farinha é de biju e a banana é doce, tentei provar, mas banana é uma praga e deixa gosto em tudo que encosta). Minha aversão por banana me impede de criticar de forma imparcial a farofa, mas os demais acompanhamentos, apesar de gostosos, desaparecem ao lado da perfeição do leitão.

DSC_0088De sobremesa, sorvete de queijo com goiabada cascão derretida, servida em quantidade pequena para padrões mineiros e, confesso, um pouco aquém das expectativas depois das entradas e do prato principal. Para fechar, uma mesa com docinhos acompanha o cafezinho. (Os docinhos são divinos, feitos no tacho, mas isso já é papo para outro post.)

A brincadeira não é barata: esse menu completo sai por R$ 150 por pessoa (sem bebidas); o pagamento é antecipado para confirmarem sua reserva e no local você só paga as bebidas. Mas valeu tanto a pena que estou querendo levar todo mundo que eu conheço para almoçar lá e fazendo lobby para aqueles que não gostam de porco mudarem de opinião.

 

Pousada Villa Paolucci – End.:R. Francisco Cândido Barbosa, Tiradentes – Tel.: (32) 3355-1350 / 3355-2375 – www.villapaolucci.com.br/ – E-mail para reservas: villapaolucci@mgconecta.com.br )

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