Entrecôte et pommes allumettes ou bife com batata frita

Já fiz algumas mudanças na vida: algumas quando era muito nova, então nem tive trabalho (basicamente acordei numa casa nova sem mexer dois fios de cabelo); algumas envolveram levar somente mudas de roupa que podiam ir aos poucos; outras foram bem maiores. No momento estou numa mudança com um nível de dificuldade médio. Entre os sabores e os dissabores desse momento, acabei dando menos atenção do que gostaria ao meu Padrinho, que estava de passagem pelo Rio.

Então, em uma bela segunda-feira, no meio dessa bagunça, que tá me dando alergia e que me obriga a usar máscara de olhos para dormir (ainda estamos sem cortinas), me dei folga e fui levá-lo para jantar. Afinal, devo a ele meu gosto pelo dry martini e meu vício por séries americanas.

Como a presença é ilustre e a predileção é por carne, optamos pelo L’Entrecôte de Paris – bife com batata frita, não tem erro. O restaurante tem um sistema de reservas online, fácil de usar e você recebe um e-mail de confirmação.

Fomos acomodados em uma mesa no primeiro andar; as paredes brancas e os espelhos pendurados dão a sensação de que o salão é espaçoso, mas, pela proximidade entre as mesas, vê-se que não é bem assim. O maître nos recebeu com a opção de uma mini tábua de queijos para entrada, mas rejeitamos pensando em guardar espaço para o prato principal. Essa estratégia não foi muito bem sucedida, pois acabamos aceitando o couvert: uma seleção de pães quentinhos, com casquinha crocante, miolo fofo, com manteiga e patê de fígado. Uma mini-perdição!

A carta de vinhos chegou num iPad mini e tem poucas opções, em geral caras (um Malbec Argentino por R$ 120 e poucos). Acabei optando por um Primitivo – da Puglia – que estava por R$ 78; óbvio que não é um vinho espetacular merecedor de muitos elogios, mas serve ao seu propósito e desceu bem com a carne.

Na hora de fazer o pedido, o Padrinho ficou um pouco impressionado por realmente só ter uma opção no cardápio (oferecem também um steak tartar e uma tábua de queijos, mas de prato mesmo, só o Entrecôte), sem ao menos uma maior variedade de molho, mas seguimos em frente.

O prato vem com uma saladinha de entrada: folhas verdes (bonitas e com cara de frescas), com mini tomates e molho de mostarda com nozes – o molho não estava com muito gosto de mostarda, mas as nozes (pecan, salvo engano) estavam uma delícia e deram personalidade à salada.

Já que não tínhamos muita opção de prato, nos restou escolher o ponto da carne. O meu é ao ponto e o do Padrinho de mal-passado foi para o que eles chamam de “bleu“: a carne vai rapidamente na chapa só de um lado, o outro lado fica cru mesmo, e  o prato aquecido ajuda a manter a temperatura. Uma coisa boa de só ter um prato é que nada aqui demora muito para ser servido (exceto o Manhattan que o Padrinho pediu), então os pratos vieram rapidinho. Uma bela montanha de batata frita com bife: a carne já vem fatiada e o molho é servido num potinho à parte.

A carne estava muito macia e ambas vieram no ponto certo – para não ter erro, os garçons anotam no papel que cobre a mesa o ponto da carne de cada um. O molho é secreto,  leva mais de 21 ingredientes (entre eles mostarda, como um garçom nos confessou) e é simplesmente uma delícia, sabor marcante, consistente, bom pra botar na carne, na batata, no pão…. E o melhor de tudo é que eles não economizam nem no molho nem batata, pode pedir mais que eles trazem sem pegadinha do malandro: é tudo servido sem custo adicional.

De sobremesa eu fui de mil-folhas e o Padrinho foi de profiteroles – uma refeição de clássicos. Não consegui nem provar o profiteroles de tão entretida que estava com meu mil-folhas: um retângulo decorado com um desenho da Torre Eiffel em cima, massa crocante, leve, fina, com recheio de dois tipos de doce de leite (ao que me pareceu), doce na medida certa! O Padrinho, connoisseur de profiteroles, garante que o de lá estava excelente!

Como deixei o namorado na mão cuidando da nossa bagunça, levei uma quentinha para ele (para desespero do taxista, pois a comida estava muito cheirosa) e me despedi em grande estilo do Padrinho. Difícil vai ser superar essa experiência quando ele voltar no ano que vem.

IMG_4291É um bife com batata frita que sai caro: em torno de R$ 60 o prato com salada de entrada. Pra quem pede vinho, a conta fica ainda mais alta – aproximadamente R$ 150 por pessoa. E ainda nos perguntamos: será que as pessoas voltam com muita frequência para um restaurante que só serve um prato?

(L’Entrecôte de Paris – End.: Rua Prudente de Morais, 1387 – Tel.: 99662-7043 – http://www.lentrecotedeparis.com.br/pages/home)

*Foto by Namorado – Felipe é engenheiro, aficcionado por carne de porco e curte cervejas Ipa. Atualmente estou tentando alavancar sua carreira de fotógrafo-artista.

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