Aqui não tem crise grega

Desde que uns amigos paulistas me apresentaram o Acrópoles,  eu choro copiosamente por não termos um restaurante grego no Rio – salada grega, polvo ao vinagrete, moussaka, tudo tão delicioso que me faz acreditar que os gregos poderiam ganhar uns trocados exportando restaurantes e não só azeite.

Mas aí, um dia desses, vi no instagram uma foto de um kebab num restaurante chamado Santorini em pleno Rio de Janeiro. Fui pesquisar na internet e descobri que, apesar do nome de ilha grega, elas se dizem um fast food europeu, algo que me pareceu tão exótico quanto intrigante.

Quebrando a regra número um da economia do dinheiro – que é não comer fora de casa em dias de semana-, consegui convencer o namorado a passarmos lá em plena terça-feira, para conhecer e ver se teríamos um substituo ao Acrópoles.

A casa fica na praia de Botafogo, ali na última quadra antes de entrar na São Clemente – pequenina entre botecos, lotéricas e lojinhas, mas chamando atenção pelas cadeiras Oppa coloridas na calçada. Dentro, o espaço é apertadinho: são algumas mesas para dois encostadas na parede. Sobra um pequeno espaço de corredor apenas para passagem; e, do lado oposto, o balcão, de onde saem os pratos da grelha.

Em uma das paredes, um quadro negro com algumas especialidades da casa. Mas, se você, por algum motivo, não gosta de nenhuma das sugestões do quadro, pode pedir o cardápio que está repleto de boas opções para todos os gostos: salada, frutos do mar, carne vermelha…. E nos finais de semana eles ainda servem pratos especiais do dia, dependendo de qual ingrediente fresco eles conseguiram comprar (vimos, por exemplo, uma feijoada portuguesa e uma lasanha de salmão).

Nossa meta, na terça-feira, era provar a moussaka e o kebab. Acabamos pedindo um kebab e um goulash, pois a moussaka já tinha acabado e a próxima leva demoraria para ficar pronta. IMG_4547

O namorado foi de kebab de pernil – aqui conhecido como churrasco grego de pernil – sem tomate. O que veio foi um pouquinho do céu: carne de pernil, cortada em pedaços pequenos, um pouco desfiado, bem temperado, com um bom toque de pimenta, acompanhado de alface, enrolado no pão folha finíssimo – é leve, servido em quantidade boa para matar a fome e saborosíssimo! O churrasco, para quem não é muito fã de pernil, também pode ser de carne de boi ou de frango (estes são feitos com uma mistura de mais de um corte/ tipo de carne do animal). Ah e ainda tem a cereja do bolo, o preço honesto: com apenas R$ 10,00 pagamos o jantar do namorado.

IMG_4545Eu fui de goulash, prato feito com carne de peito de boi, que cozinha durante horas com vários kilos de cebola. Três pedaços generosos de carne, servidos com um caldo (que é o da cebola, sem levar nem um pingo d’água) com champignon, uma bela batata cozida e arroz branco num potinho à parte. A carne se desfaz no garfo, o molho é tempero puro já que não leva água e o arroz, super soltinho, ficou uma delícia mergulhado no molho. A porção é grande e aí meu jantar serviu também de almoço e foi a bagatela de R$ 24,00.

Cumprimos só um de nossos objetivos e por isso sonhamos com a moussaka pelo resto da semana. No sábado, então, resolvemos passar lá na hora do almoço, assim provaríamos nossa tão sonhada moussaka e evitaríamos fazer compras de mercado com fome (quem frequenta muito o mercado sabe que isso é um erro: dilapida o patrimônio e incentiva o consumo de besteiras enquanto se está na fila).

Chegamos lá por volta das 14hrs, alguns comensais nas mesas da calçada, mas nós optamos por sentar dentro, buscando fugir do barulho dos ônibus na praia de Botafogo, e fomos logo perguntando “Oi, boa tarde, hoje tem moussaka?”. Disseram que não, mas que estava quase pronta – ou seja, tiramos a sorte grande: provaríamos a moussaka hiper fresquinha, recém preparada.

Enquanto esperávamos, fomos de salada grega (preparada pela dona, ali mesmo no balcão, e com ingredientes separados, já que o namorado não come nem tomate nem pepino: de um lado o alface, com azeitonas, pimentão e queijo feta; e de outro, o tomate, com pepino e um pouco de queijo). Parece que o segredo da salada é misturar bem todos os ingredientes, para pegarem o gosto do azeite e do queijo feta, e aí não precisa nem de sal, nem de pimenta, nem de nenhum outro tempero. Os ingredientes são frescos e de ótima qualidade (o queijo feta é importado): até o namorado repetiu a porção de salada.

IMG_4581 A salada acabou demorando um pouco mais que o esperado, e a moussaka acabou saindo em menos de 10min, então ficamos com um belo almoço tipicamente grego: salada grega com moussaka. E para acompanhar, uma taça de vinho tinto da toscana para cada um (e aqui, novamente, o preço é justo: R$ 12 a taça de um vinho que fiz questão de pegar o nome já que estava uma delícia).

Apesar de toda ansiedade e expectativa, a moussaka não deixou nada a desejar.IMG_4579 No Santorini a moussaka recebe  tratamento especial (e de quebra leva o nome do restaurante para adjetivar) e, ao invés de ser feita com carne moída, é feita com lascas da carne de boi usada no churrasco grego – nesse dia, por acaso, eram lascas de costela maturada, sem nenhuma gordura; a berinjela é cortada em pedaços e defumada (toque especial do chefe, também); em cima, rodelas de batata cozida e um molho de iogurte. Os sabores se misturam e se realçam mutuamente; tudo muito bem preparado e temperado; desses pratos que todo mundo tem que provar pelo menos uma vez na vida. Apesar de não ser a tradicional moussaka, a Moussaka à Santorini merece seu lugar ao sol e idas frequentes ao restaurante para saborear essa delícia.

IMG_4583Enquanto me esperava terminar de comer, o namorado, curioso, avistou uma garrafa de alguma bebida alcóolica desconhecida dele e resolveu perguntar o que era. Uma espécie de pinga do leste europeu, feita de ameixa, a Slivovitz cai bem como digestivo e promete um belo porre para quem se aventurar em mais de uma dose.

A sobremesa teve que ficar para outro dia: as especialidades da casa são preparadas pela nora da dona, que por causa das férias escolares, acabou sem tempo para preparar os doces e por isso nosso retorno ao Santorini já tem data marcada.

A conta nesse dia deu R$ 42 por pessoa – uma água com gás, uma salada grega, duas moussakas e duas taças de vinho: como disse a própria dona “é comida 5 estrelas com preço de buteco”.

(Santorini – End.: Praia de Botafogo, 406, loja A1 – Tel.: 2553-2894)

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