Cidade Perdida

Depois de uma longa e corrida semana de trabalho, normalmente o que a gente mais quer é não ter hora para acordar no final de semana, nem compromisso com hora marcada; vamos levando a vida numa boa por pelo menos 48 horas. Mas “once in a blue moon” você resolve abrir mão dessa calmaria e o resultado é um sábado atípico de passeios incríveis pelo centro do Rio com velhos e novos amigos. DSC_0564

O Morro da Conceição há algum tempo integra minha lista de locais a conhecer; por sorte consegui juntar uns amigos com a mesma curiosidade e, com a ajuda, a gentileza e todo o conhecimento do Guilherme do Rio4Fun, fomos lá conhecer esse pedacinho do Rio – uma província bucólica encravada no meio da loucura do centro da cidade.

O roteiro, feito sob medida pelo Guilherme, incluindo o Cais do Valongo (ou da Imperatriz)DSC_0409, a Pedra do Sal, os Jardins Suspensos, a Igreja da Conceição e o Forte, por onde ele, com conhecimento e precisão, foi nos guiando por ruas, vielas e ladeiras.

O Morro, uma agradável mini-cidade, tem diversos acessos; lá de cima, vista privilegiada da Baía com a Ponte Rio-Niterói ao fundo, moradores simpáticos e casas em estilo antigo de fachadas coloridas. DSC_0570Para dar o toque boêmio, alguns ateliês de artistas, como o do Cláudio Aun, morador do Morro da Conceição desde 1980, que abre suas portas para visitas e conta um pouco da história do local.

Apreciador da boa gastronomia e sabedor do meu interesse, Guilherme escolheu a dedo um local para almoço: o restaurante Imaculada, na Ladeira do João Homem. O acesso é feito pela escadaria que fica na Rua Acre; o restaurante tem portas altas, estreitas e verdes, que permanecem abertas, funcionando também como galeria de arte.

No cardápio de sábado, além dos petiscos, das caipirinhas, cervejas e das saladas, tem Feijoada e a Surpresa do Chefe.IMG_4763 Começamos com um dos petiscos famosos da casa, o Bola 7 (R$22,90): bolinha de feijão com arroz, bacon e carne seca, envolto em farinha de fubá. São 7 bolinhos de tamanho avantajado, com casquinha crocante e recheio macio, bem temperado, com verdadeiros pedaços de bacon, servidos com molho de alho e molho de pimenta com maçã e gengibre. Saborosíssimos; os bolinhos fogem da mesmice do bolinho de feijoada, por conta dos ingredientes tradicionais e dos molhos – o de pimenta, além de inovar pelos ingredientes, é bem arretado.

Os amigos mais saudáveis foram de Surpresa do Chefe (R$ 31,90): um filé de peixe frito, com molho de camarão e tomates, servido com arroz branco e batata corada. Não cheguei a provar, mas ele foi bem elogiado. E, para quem tem problemas (alergia) com camarão, o chef pode fazer um molhinho mais simples, que, no caso, foi um molho de manteiga com azeitona, para um dar uma sofisticada. As batatas coradas estavam realmente bonitas e quase fiquei com inveja da escolha deles.

IMG_4773Optei pela Feijoada – para 2  (R$75,90), para dividir com o Guilherme – e já quero virar habitué. Uma porção generosa, mas sem exageros, de feijão preto, com belos pedaços de carne de porco parrudo, temperado na medida sem ficar salgada; um prato de arroz branco fresco e soltinho; torresmo, farinha torrada, couve levemente refogada e fatias de laranja. Comi, repeti e não deixamos sobrar (quase) nada. Feijoada caprichada com serviço atencioso e companhia excelente.

IMG_4767As bebidas eram uma atração à parte. Um dos amigos foi de Bela Rosa, o rótulo de trigo da Bohemia, que teve uma boa aceitação do grupo. Achei que a feijoada merecia uma caipirinha (R$ 18,90) e fui com a de tangerina: um copo gigante, com cachaça artesanal e gomos de tangerina. A cachaça, Velha Província, vem na proporção certa para a fruta e nem precisei adoçar; de quebra, ainda vem o chorinho no copo de shot (para o santo).

Tradicionalmente fechamos o almoço com um cafezinho, mas o Guilherme tinha outros planos. Pedimos a conta (que veio num valor extremamente justo) e partimos dali para Santa Tereza. Nosso destino fica ali na Ladeira Hermenegildo de Barros, – o Guilherme dirige com tanta desenvoltura pelo local que você nem percebe que chegou.

Chegamos na Casa do Barista: uma dessas lindas e típicas construções de Santa Teresa, de 1846, com fachada de casa de família mesmo – quem não conhece o local, passa batido e perde uma incrível visita. Tocamos a campanhia e já entramos em outro mundo: uma época de cristaleiras de jacarandá, pés de mesa de máquinas de costura, pisos originais de madeira e moedor de café de ferro, desses que você prende na beira mesa. O ambiente tem o aroma do café moído e torrado na hora e cada pedacinho tem um toque especial de decoração – louças, copos, tecidos, painéis.

O Emílio, barista, mineiro de família grande e entusiasta dos trabalhos manuais, recebe os visitantes com a simpatia mineira e o relaxamento carioca, nesse ambiente especial com vista do Pão de Açúcar e da enseada de Botafogo. Para melhorar, ele é um artista dos cappuccinos: cada um vem um desenho personalizado: flores, gatos, ursos e até um dragão surgiram na espuma de leite por suas mãos hábeis.DSC_0650

O café do dia era lá de Caparaó/ Pedra Menina, na divisa de MG com ES e diz-se que tem a “molécula da felicidade”. “Espera Feliz” é um café muito aromático com propriedades quase mágicas: anima, dá energia e tem sabor e aromas persistentes. O pacote de 250g para levar para casa sai por R$20 e o Jean, outro barista da casa, moe o grão de acordo com a preferência do cliente: filtro de papel, de pano, prensa francesa…. Arrematou com harmonia e tranquilidade um dia especialíssimo.

Passeio perfeito para sair da rotina: descobrir mais sobre a história do Rio, caminhar por um oásis de tranquilidade ao lado da Rio Branco, saborear comida tipicamente carioca com preços bem parceiros e terminar tomando um café apreciando um cartão postal do Rio. E claro: na companhia de bons e novos amigos, tudo fica ainda mais divertido. Obrigada, Guilherme!

(Imaculada – Tel.: 2253-3999 – End.: Ladeira do João Homem, 7 – http://www.barimaculada.com.br/)

(Casa do Barista – Tel.:3852-3932 – End.: Ladeira Hermenegildo de Barros, 193 – http://www.casadobarista.com.br/ )

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