Great Expectations

Desde que saí da faculdade, fui angariando novos amigos em pequenos grupos pelos lugares que passei: são umas amigas da pós aqui, uns amigos de um trabalho ali; amigas de curso de foto lá; o resultado é a biodiversidade com gente de todos os times e de todos os partidos.

Uma dessas amigas é a Marlene – portuguesa arretada, mãe de duas espoletas, fashionista, DJ e contra o perdão da dívida grega. Ela fez aniversário e, como a data não podia passar em branco, foi buscar um restaurante que pudesse acomodar (e agradar) a si e a seus amigos – mais ou menos toda comunidade portuguesa do Rio de Janeiro, mais uma dúzia de cariocas. Fomos, então, almoçar no recém-chegado El Gordo, um bar de tapas portuguesas ali no final do Leblon, que pelo visto já gerou alguns comentários.

Confesso que estava curiosíssima: por um lado, ‘tapas’ para mim evoca comida espanhola, e não portuguesa; por outro, comida portuguesa é um vício meu. De quebra, levei o namorado e meu Padrinho, que compartilham meu fascínio pela culinária da terrinha.

Chegando lá, a primeira impressão é boa: o local tem uma decoração bacana, com mesas de madeira grandes para acomodar todos os pratos de tapas. Mas logo em seguida a felicidade pelo tamanho da mesa diminui: o espaço é apertado e as paredes tem vigas, então é bem difícil conseguir puxar as cadeiras e se sentar – acredito que pessoas bem acima do peso nem consigam se acomodar em determinados lugares.

Vencido esse estranhamento e devidamente acomodados, pedimos o cardápio (para um garçom com cara fechada de quem não queria trabalhar num domingo) e ficamos impressionados com a quantidade de itens do cardápio: são mais de 90 itens, entre comidinhas e bebidas. Por sorte, tínhamos uma intérprete ali conosco, já que boa parte das opções inclui ingredientes com nomes desconhecidos por essas bandas de cá do Atlântico.

IMG_4311 (1)Para começar fomos de sangria, queijo da serra, entrecosto com mel e croquetes de pato. A sangria, oferecida no cardápio em diversas versões, inclusive de vinho verde, vem em uma bela jarra de louça branca e azul, com um palito de canela para servir de mexedor, bem saborosa, mas falta fruta e a quantidade é reduzida (R$78). O queijo da serra é servido frio mesmo (esperava um queijo derretido, como no Antiquarius) com geleia de tomate, uma iguaria que Marlene disse que comeu pela última vez na casa de sua avó (R$36); não acompanha pão e acaba saindo caro demais quando se pede a porção adicional (R$12). O entrecosto (R$29), deliciosa costelinha, estava super macia e saborosa, mas tinha gordura demais. O croquete é feito com carne de pato desfiada, casquinha bem crocante e acompanha geleia de laranja, leve e não muito doce (R$24).IMG_4305 (1)

Seguimos os trabalhos com Rojões de Porco à Minhota (R$49)  e Alheira com Batata Frita e Ovo (R$38). Rojões – esse nome não soa nem um pouco apetitoso – são pedaços de carne da costela do porco, servidos sem osso e sem gordura, feitos com batatas coradas, molho de vinho verde e (muito) alho. A carne é super macia, mas falta sabor e nem senti o vinho verde. Já o nosso prato de alheira, primeiro veio errado (nos trouxeram batata frita com ovo e jamón) e, apesar das caras feias do pessoal do estabelecimento, trouxeram depois o prato certo. Decepcionante: alheira parcamente espalhada pelo prato (poucos e míseros pedaços), batata frita tendendo pra gordura e pouco crocante e um ovinho que mal dá para molhar todas as batatas. Apesar de tudo, a  alheira era gostosa, mas longe de ser a melhor que já comi.

Não nos deixamos abater e fomos experimentar as sobremesas: mousse fria de chocolate com avelã (R$18) – por fria, entenda-se congelada, servida com creme de leite, uma prima distante e menos gostosa do Chicabon – IMG_4317e leite creme (R$19) – versão portuguesa do crème brûlée e da crema catalana, não leva baunilha, é bem leve e até que estava gostoso. Finalizando, três cafezinhos a R$ 6,50 cada.

Confesso que mesmo sabendo que tudo anda muito caro no Rio de Janeiro, fiquei espantada com o valor final da conta:  pagamos mais de cem reais por pessoa por tapas que não são nenhuma Brastemp. Além disso, faltam sorrisos e cordialidade ao pessoal do atendimento: cobram 11%, mas não merecem nem o meu “muito obrigada”. Algumas novidades ficam muito aquém, mas pelo menos já sei onde não comer quando for a Trancoso.

(El Gordo – End.: Av. General San Martin – 1219 – Tel.: 3079-9581- https://www.facebook.com/pages/El-gordo-Tapas/461619287328317)

 

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