Arrondissement

Achar um lugarzinho para morar no Rio de Janeiro é tarefa quase hercúlea: se por um lado algumas ruas – e até bairros inteiros – praticam preços proibitivos, por outro lado, algumas ruas – e até bairros inteiros – são menos encantadores. Além de conseguir um cafofo que não tenha infiltrações e superar alguns estereótipos, a gente ainda leva em consideração as redondezas: tem mercado? padaria? a net vírtua já chegou ali?

Depois de mudar, começa a saga para encontrar os serviços básicos da vizinhança. Como sou um pouco avessa à cozinha, para mim serviço essencial é ter restaurante perto: um desses com comida gostosa que você vai sempre que fica com preguiça de cozinhar e/ou de lavar toda aquela louça depois de comer; um desses que você pode ir a pé e o namorado de bermuda; desses com tanta coisa boa no cardápio que você fica na dúvida e já sai de lá querendo voltar.

Achei o Symposyum por acaso; janelas grandes e porta de vidro; logo vi uma incrível quantidade de vinhos expostos em uma grande estante e fui abduzida. Entrei e comprei só um vinho – da categoria winebar, eles vendem vinho para levar e não aceitam que você leve seu vinho de casa, caso queira comer por lá.

Na outra semana finalmente fomos lá ver se o cardápio de comidas é tão bom quanto a seleção de vinhos e para evitar problemas com a Lei Seca, aproveitamos para ir a pé. Assim que você entra é possível sentir um cheiro, desses que você sente mais quando está fazendo trilhas e visitando cachoeiras, um cheiro de pedra e terra molhada, por conta das pedras que revestem uma parede inteira e (possivelmente) ajudam a manter a temperatura do local. Aos poucos você se acostuma e não sente mais nada.

A decoração é simples e com foco nos vinhos: uma parede inteira é tomada pela estante de vinhos, separados por nacionalidade e tipo; algumas peças de tapeçaria nas demais paredes; cesta com rolhas de vinhos; iluminação baixa; um piano (para os dias de música ao vivo).

Chegamos cedo e, em plena quarta-feira, conseguir mesa não foi problema (não vimos outros clientes chegando durante toda nossa permanência). Sentamos logo na frente da seção de vinhos portugueses; escolhi um Ilógico (Trincadeira e Aragonês), vinho elegante e bem equilibrado – e o português mais barato que vi na estante (R$ 98).

O cardápio é enxuto: na parte da frente, entradas, petiscos e (três) bebidas – água, café e taça de vinho do porto (esta última, R$ 12); na parte de trás, os pratos principais – carnes, massas e risottos – e as sobremesas. Pulamos as entradinhas e fomos direto para os pratos principais; o namorado foi de canard a l’orange  (R$ 65) e eu escolhi um risotto – uma comfort food acolhedora para acalentar os ânimos no meio da semana.

IMG_5018 (1)Como o restaurante estava vazio, a comida chegou bem rápido. A coxa de pato estava super macia, desfiava só de passar o garfo. O gosto forte do pato com ácido adocicado do molho de laranja é o casamento perfeito. Para acompanhar, batata rösti  em versão abrasileirada: aqui, a tradicional receita de lascas de batata é com baroa e estava excelente; era crocante por fora e macia por dentro.

IMG_5012 (1)Já o meu risotto de brie com parma (R$ 69) estava impecável; nunca antes da história deste país comi um risotto com uma consistência tão maravilhosa. Grãos de arroz mezzo al dente, super cremoso, com queijo na medida certa, uma fatia adicional de queijo brie para enfeitar e uma porção de presunto de parma, desses levemente salgados, com pouca gordura, fazendo o contraponto do queijo brie para não ficar enjoativo. Aqui, ao contrário do que se espera, o presunto vem por cima do risotto e assim guarda suas características originais.

IMG_5023 (1)O plano original não incluía sobremesa, mas nesse inverno atípico com direito à chuva de verão, resolvemos terminar nosso vinho com calma e experimentar o fondant de chocolate da casa (R$ 25) esperando a tempestade passar. O fondant é um bolo de chocolate, desses bem densos que não esfarelam, um mud cake. Servido com calda quente e cremosa de chocolate, amêndoas crocantes e sorvete de creme: uma porção mais que generosa para duas pessoas dividirem, com um quê de doce de francês, por não pecar em ser excessivamente doce.

Saímos de lá com duas certezas: vamos tentar fazer o pato com molho de laranja em casa; e iremos lá mais vezes  – com um guarda-chuva.

(Symposyum  Bistrô – End.: Rua Ipiranga, 65 – Tel.: 2205-3122 – http://www.symposiumbistro.com/symposium/ )

 

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