In paleness and in health

O namorado e eu não somos criaturas praianas; “branquelos”, “brancos azedos” são termos facilmente empregados para descrever nossa falta de melanina, gerada pelo nosso desinteresse em ir à praia. Mas quando uma querida amiga de escola convida para o casamento dela em plena Florianópolis, a gente separa logo a roupa de banho, o protetor solar e o chapéu para – além de curtir a festa – aproveitar o feriado nas praias catarinenses.

Mas: São Pedro escolheu bem o fim de semana de 7 de setembro para mandar bastante chuva para os lados de lá e como estávamos ali reunidos fomos celebrar com um mini-roteiro gastro-etílico. Começamos com uma visita ao fofo bairro de Santo Antônio de Lisboa; um trecho da ilha de colonização açoriana que guarda a agradável arquitetura de além-mar. Uma igrejinha, várias casinhas coloridas; uma faixa de praia com pequenos barcos de pesca ancorados a alguns passos da areia. Um passeio agradabilíssimo, com beleza natural e história arquitetônica que só não foi melhor por conta da incessante chuva.

Vislumbramos uma placa que indicava um café servindo doces portugueses e, como não somos (nem um pouco) de ferro, resolvemos parar para provar os doces, fugir da chuva e nos aquecer com um cafezinho. Lá no Café da Praça, eles abrem depois das 14 horas, o que deve fazer muito sentido em dias de sol e praia.

Logo de cara nota-se a decoração bem descolada, com lousas e dizeres escritos à mão; estante de madeira escura com cafés e outros objetos à venda; mesas com sofás, boas para acomodar grandes grupos; mesas altas com banquetas; janelões com vista para a praça e um pedaço da praia.

Recebemos o cardápio e, quando perguntamos acerca dos doces portugueses, fomos informados que o legal é ir até o balcão para ver se tem e a qual a cara do doce que queríamos. Um balcão baixo, desses de padaria mesmo, bem iluminado e repleto de guloseimas, com plaquinhas descritivas também escritas à mão que indicam que você está no lugar certo para escolher sua comida. Ao lado, uma cristaleira que também serve para exibir uma considerável quantidade de doces e salgados incríveis. IMG_5427

Optamos por começar os trabalhos com uma crostata italiana de pera com gorgonzola (R$ 12,50). A iguaria salgada é um pecadilho sensorial: a massa levinha (como uma pizza), recheio cremoso, bem temperado e porções generosas de queijo e fruta na medida ideal d’equilíbrio cósmico desses dois ingredientes que nasceram um para o outro.

Para completar, eu escolhi uma tortinha (especialíssima) de maça.IMG_5434A massa era de biscoito amanteigado, se desfazia no garfo e o recheio era incrível, diferente da maioria das tortas de maçã que já encontrei por aí: um creme especial (mingau) de baunilha preenchendo a massa e fatias de maçãs assadas e caramelizadas por cima, tudo isso servido quentinho, acompanhado de café expresso. Foi o suficiente para espantar o muxoxo causado pela chuva e tempo feio.

Já o namorado escolheu um bolo de chocolate (com o curioso nome de “Tás Tola”) que com certeza é uma espécie de paraíso para todos que têm um sweet tooth:IMG_5432 massa de pão de ló de cacau belga molhadinho como base, recheio de doce de leite caseiro (desses que não são muito doces) e truffa de chocolate escuro, com cobertura de brigadeiro cremoso. Desses bolos que você tem que pegar uma big garfada para comer todas as camadas  ao mesmo, para deleite de suas papilas, que viverão felizes para sempre.

Tomamos um pequeno exército de café e água; a conta é paga diretamente no caixa, é só dizer o número da sua mesa, e a nossa saiu por R$73,59.

Devidamente energizados e cheios de bom humor (santo açúcar!), resolvemos voltar pelo caminho açoriano e conhecer o centro da cidade. Óbvio que não fomos muito longe: logo que chegamos no Mercado Central, além de começar a cair uma chuva mais forte, nos deparamos com bares lotados, copos cheios de cerveja, que pareciam ter a mesma etiqueta que colocou Alice em apuros: “Drink Me!”

15 - 1
Foto tirada pelo namorado

Não hesitamos e dissemos “sim”. Conseguimos uma mesa no Beer Boss e pedimos de cara uma Tupiniquim Double e uma Schornstein IPA. Os chops vieram lindos e super bem tirados, servidos naqueles copos de cerveja que encantam os olhos, e por livre e espontânea vontade, seguimos sentados ali, provando mais alguns chops, na rua, na chuva, aproveitando a simpatia dos garçons, até que nos informassem que estavam fechando.

É sempre bom tirar uma folga do Rio de Janeiro e sentir esse sopro de gentileza. Tiramos o cheiro de naftalina das roupas de inverno e seguimos branquelos, e se alguém tem alguma coisa contra isso, fale agora, ou cale-se para sempre.

 

(Café da Praça – End.: Rua Cônego Serpa, 101, Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis – Tel.: (48)3207-2297 – Café da Praça no Facebook)

(BeerBoss – Mercado Público de Florianópolis – Tel.: (48) 3039-1014 – BeerBoss no Facebook)

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