O que é que a Barra tem

Se a história é cíclica, me parece que estamos retornando ao Brasil da minha infância dos anos 90 e, então, por que não trazer de volta o hábito das compras de mês em busca de preços em conta (qualquer centavo conta), mesmo que em locais longínquos, como o reino da Barra. Óbvio que já desmitificamos alguns itens que pareciam mágicos (como o chiclete Juicy Fruit que só tinha quem viajava) e nossa lista de mercado hoje é feita em algum aplicativo do google, da apple ou da microsoft in tandem com os padrões de sustentabilidade, mas fato é que já é possível vislumbrar o retorno dos armários nos mercados e dos sapatos moleca.

Como recompensa pelo deslocamento até a Barra, em pleno domingo de sol, para fazer compras de mês, o namorado e eu resolvemos aproveitar e almoçar por lá: afinal, o enorme bairro além-túnel guarda algumas pérolas culinárias fora dos inúmeros shoppings locais. Entramos numa das ruas transversais à Avenida das Americas, dessas arborizadas (civilizadas) que fazem você se sentir fora da Barra; paramos o carro num estacionamento sem cancela (com pessoas de verdade entregando papelzinho na entrada); e atravessamos a rua (composta de somente uma faixa) com calma e entramos no Skinna.

O restaurante oferece uma área externa, ao ar livre, ótimo para quem está saindo da praia; e uma área interna, com ar condicionado, e atmosfera de restaurante tradicional do Leblon e aqueles garçons tão à vontade e familiarizados, que parecem estar em casa. No cardápio, muitas especialidades com frutos do mar e em porções bem generosas.

IMG_5794Para começar, fomos de pastel de camarão catupiry (tem opção de ser com aipim no lugar do queijo) para abrir o apetite enquanto escolhíamos o prato principal. A porção com seis pastéis (R$ 23,40) não demorou para chegar e levou menos tempo ainda para acabar: os pastéis – sequinhos, com massa leve, recheio com camarão de verdade, bem temperado e sem estar entulhado de catupiry – foram devorados por três comensais muito impressionados com a qualidade da entradinha em poucos minutos. Para completar, a pimenta da casa é bem cheirosa e picante na medida certa.

De prato principal, escolhemos um de meus pratos favoritos (que um dia ainda tentarei fazer em casa): Bobó de Camarão (R$ 130,00). Prato típico da culinária brasileira, o Bobó está para as tapas espanholas, como a sangria está para a caipirinha: ótimo para celebrar, dividir, enfim, comer junto. Segundo o garçom, a porção é para duas pessoas, mas como já havíamos comido os pastéis, resolvemos apostar na sorte e no espaço para sobremesa (caso a porção realmente fosse para duas pessoas).IMG_5796

A conversa fluía bem – em parte por conta do vinho, em parte por conta de nosso humor ácido -, quando chegou nossa comida. Uma bela panela dessas que vai à mesa e mantém bem a temperatura, uma porção de arroz branco e uma de farofa de dendê. O garçom serviu cada um de nós de uma pela porção de cada, e, oferecendo mais um brinde à Dionísio, começamos a comer.

O Bobó estava im-pe-cá-vel: a textura super cremosa e leve (mesmo sendo aipim), com tempero bem equilibrado (nenhum tempero ofuscava ou escondia o outro), os camarões vieram em uma incrível quantidade; o arroz estava bem soltinho e a farofa completava esse trio nordestino. O namorado morou anos em Salvador e não poupou elogios. Frequentamos, meu pai e eu, durante anos, o Siri Mole e estamos de luto desde que eles fecharam as portas da simpática casa no Posto 6, mas acho que este pode ser um substituto à altura, com todo respeito.

IMG_5802Suspeitávamos desde o princípio que a porção seria bem servida; acabou sobrando e pedimos para levar para casa.
Para completar o menu do domingo, pedimos um petit gateau de goiabada com sorvete de tapioca (R$ 19,90). Demorou bem pouco e chegou nosso bolinho quente, que, infelizmente, ficou muito aquém de nossas expectativas. Sem graça e sem gosto, nem o sorvete se salvou – parecia açúcar com corante, não achei a goiaba nem a tapioca. O cafezinho ajudou a tirar o amargo gosto da decepção de nossas bocas.

Se você não tem com quem dividir o bobó, não tem problema: pode me convidar, ou pedir a meia porção que o restaurante oferece por 55% do valor do prato. No geral, saímos no lucro: o prato para dois, serviu três e ainda garanti meu almoço de segunda. Em tempos de crise, essa quentinha foi um luxo só!

(Restaurante Skinna – End.: Av. Armando Lombardi, 205 / Ljs: 106 e 107 – Tel.: 2493-2300 – http://skinna.com.br/pt/ )

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