Sobre barracas e cadillacs

O namorado tem a sobrinha mais linda do mundo e, como ele também é dindo, resolvemos que o presente de 1 aninho tinha que ser algo espetacular. Perguntei se havia alguma coisa de que ela precisava e aí descobri que esse universo infantil é quase (ou mais) avançado que toda a tecnologia desenvolvida pelo Google: uma barraca para armar na praia ou em casa com filtro UV, tela para passagem de ar e fundo com estofamento, para os pimpolhos poderem se proteger, sem passar calor ou sentar no chão duro (acho que também existe a intenção de evitar que eles comam areia).

Missão dada; fomos ao Barra Shopping tentar cumprí-la. Abatidos, pois demorávamos mais do que o planejado para achar a tal barraca, decidimos recarregar as energias no PJ Clarke’s. A casa, um clássico novaiorquino que sobreviveu a duas guerras, ao período da grande depressão e, o mais impressionante, à era da lei seca, abriu as portas esse ano no primeiro piso do Barra Shopping, ali na mesma parte da Sephora e do Bacio di Latte.

O local tem o mesmo estilo art déco da casa original de Nova Iorque, com (pseudo?) tijolos aparentes, fotos em P&B, bar com um belo balcão em madeira, toalhas com estampa xadrez de vermelho e branco; enfim, uma atmosfera bem acolhedora e vintage – se você estiver de costas para o corredor do shopping.

host foi uma simpatia e nos recebeu super bem – como era horário de pico, nos sentamos à única mesa disponível, bem próxima da anomia dos corredores. No extremo oposto do host da casa estava nosso garçom: não nos cumprimentou, nem perguntou se gostaríamos de pedir alguma coisa, durante toda a refeição tivemos que chamá-lo e pedir que ele ‘tirasse’ nosso pedido.IMG_5899

A casa oferece, entre as cervejas da casa, dois rótulos da Brew Dog. O namorado, com o olhinhos brilhando de felicidade em função do ótimo preço da cerveja, pediu uma Hardcore (R$ 24); eu pedi um Apple Martini (R$ 29). Meu drink, servido em uma porção bem generosa, de um verde quase nuclear, estava aquém das minhas expectativas – muita menta e pouca maçã. Já a cerveja do namorado veio errada: trouxeram a Punk e, só quando reclamamos que não foi a cerveja pedida, é que o barman informou que era por que eles não tinham mais a Hardcore. Pelo que entendemos, o pessoal não sabia que existia uma diferença entre a Harcore e a Punk, achando que ambas eram a mesma coisa: uma Ipa da Brew Dog…. tsc tsc tsc tsc

De entrada pedimos o crisp parmesan tater tots (R$ 25) – bolinhos de batata com parmesão fritos (!), uma porrada certeira de carboidrato e gordura, servido em quantidade generosa, bem crocante por fora, macio por dentro e com o queijo bem derretido. Depois de passar a semana comendo frango grelhado e salada, as papilas gustativas ficaram excitadíssimas com esse petisco; estava delicioso – algo como junk food meets comfort food.IMG_5896

Foi difícil conseguir a atenção do garçom para podermos pedir o prato principal. Quando finalmente conseguimos, o namorado pediu o carro chefe da casa (hambúrguer) e eu resolvi comer um steak tartare (um dos meus pratos favoritos). Bem, se demoramos a conseguir a atenção do garçom, nem sei dizer o quanto demorou nossa comida… Uma eternidade para sair um hambúrguer e um prato de carne crua. Mas eventualmente a comida chegou.

Irritada com o serviço do local, meus ânimos foram domados pela simpatia do garçom que trouxe nossos pratos. Explico: o steak tartare (R$ 48) pode vir com batata frita ou com salada verde; escolhi a salada verde. Então, qual não foi minha surpresa ao ver duas porções de salada – uma no prato, outra num potinho separado. O garçom prontamente se ofereceu para trocar o potinho de salada pelo potinho de batata frita, explicando que o tartare sempre vem com a porção de salada no prato.

IMG_5905Trata-se de um tartare bom (temperado com cominho, cebola, ovo…..), mas “não era uma Bastemp”; a carne estava macia, sem nervos, mas ele é servido um pouco disforme e pra mim faltou um tempero mais forte, um pouco picante, (quiça um molho inglês, mostarda forte, pimenta, ou algo do gênero). A salada verde que já acompanha o prato estava bonita e fresca, mas sem nenhum tempero: não tinha um azeite, um vinagrete, e como o serviço é falho, também ninguém veio perguntar se queríamos azeite. Já a batata frita…. merece todos os elogios do post de hoje: fina, crocante e sequinha, devoramos avidamente todas as porções de batata que estavam por ali.

O hambúrguer do namorado, “The Cadillac” (R$ 43) – nome dado por causa de alguma personalidade que disse que o tal hambúrguer era o cadillac dos hambúrgueres-, com porção extra de cebola com Guinness (R$ 6), também vem com porção de batata fritas e, à primeira vista, parecia lindo.IMG_5901 O pão de brioche é bem fofo, sem ser massudo e a cebola é um espetáculo, meio adocicada e termina com sabor de café e lúpulo – estamos aguardando uma oportunidade para testar essa receita em casa. Mas, de resto, o hambúrguer é mediano. No máximo podemos dizer que ele é o Uno Mille dos hambúrgueres. Resumindo: diz que é cadilac, mas na verdade é Uno Mille e quer cobrar preço de Aston Martin usado em filme de James Bond.

Durante o almoço, traçamos nossa rota de busca pelo shopping, mas a verdade é que o preço alto e a comida sem graça nos deixou mais abatidos do que antes. Sorte que conseguimos achar a barraca e aí só nos restava partir pro abraço: sobremesa na Bacio di Latte, sorveteria paulistana incrível que gerou a história mais emblemática do nosso namoro*.

(PJ Clarke’s – Barra Shopping – nem o site deles tem endereço e telefone do local)

*Envolvendo sorvete neríssimo, ponte aérea, blocos de carnaval e furto de celular.

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Um comentário em “Sobre barracas e cadillacs

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