Entre caipirinhas e livros

2015 foi (ainda está sendo?) um ano repleto de feriados e fins de semana prolongados. Com essa alta absurda do dólar, a melhor opção para aproveitar todo esse tempo livre foi pegar o carro, achar uma pousada barata no booking.com e sair por aí revistando cidades históricas e conhecendo novos cantinhos.

O namorado tem dedos mágicos para achar pousadas fora do eixo óbvio e com cafés da manhã incríveis, eu leio as letras pequenas das confirmações de reserva para garantir que não vai ser furada; o namorado sempre se oferece para dirigir, eu pesquiso os bons restaurantes locais e pego dicas por aí. Munidos de protetor solar, repelente e um ipod, saímos, no último feriado de Novembro em direção a Paraty.

A previsão do tempo não dava espaço para muito entusiasmo, mas o caminho da costa verde já garante uma vista incrível. Chegamos lá por volta do meio dia, loucos de fome e sem poder fazer check-in. Paramos o carro, peguei minha câmera e lá fomos nós em direção ao (famoso) Banana da Terra.

Uma casa típica no estilo das cidades históricas, com colunas e paredes de pedra, decoração em azul e amarelo, ventiladores vintage de cobre com um motor de cada lado e um agradável jardim interno. Como estava cedo, foi super fácil conseguir mesa e a calma e o silêncio compuseram a atmosfera do nosso almoço. (Quando passamos por ali novamente por volta das 14 horas, todas as mesas estavam lotadas e o barulho parecia de bar na Lapa em época de Carnaval.)

DSC_0726 (1)Como Paraty é conhecida (também) pelas cachaças, não pude deixar de pedir uma caipirinha: fui de Cajuana (R$23) – caipirinha de caju com limão feita com a famosa cachaça Paratiana. O namorado pediu uma dose de cachaça envelhecida pura mesmo. De entradinha, dividimos um escondidinho de camarão (R$34).

A caiprinha chegou linda, cheia de frutas, levemente doce com gosto de cachaça marcante no final. O escondidinho demorou um pouco mais, mas não tanto. DSC_0729Acho que o escondidinho é uma prato que dispensa explicações, então vou direto para os elogios: lá no Banana da Terra ao invés de aipim, ele fazem o prato com purê de batata doce, fica super cremoso e é muito mais leve; o camarão e o molho estavam super bem temperados com tomate, alho, cebolinha, coentro…., e por cima o queijo gratinado estava hiper crocante e contrastava bem com a batata doce. A porção vem num potinho de tamanho considerável e serve como entrada para dividir por dois tranquilamente; assim ainda sobra um bom espaço para o prato principal.

Os pratos aqui não têm nome – são chamados pela sua descrição mesmo e escolher o prato principal é uma tarefa quase impossível, mas, no final, o namorado escolheu um de camarão e eu, um de peixe.  DSC_0746Os camarões levemente picantes e flambados na cachaça Labareda com arroz negro e tirinhas de abobrinha (R$90) é um espetáculo visual e também arrasa no paladar: a picância vem só lá no final e os garçons “flambam” o camarão num cantinho do salão logo antes de servir; o arroz negro vem levemente cremoso e al dente; as abobrinhas refogadas são servidas à juliana. O camarão veio mais molinho, menos frito e o namorado, que prefere comida bem passada como sola de sapato, pediu para passar mais – o serviço é tão atencioso que o garçom não hesitou em recolher os camarões e levar para dar aquela fritada extra na chapa.
sJá o meu peixe (R$78) estava impecável: peixe de carne branca, macia, desmanchando na boca com sabor leve de limão, em crosta do que acho era farinha de biju e risotto com pedacinho de palmito pupunha. A crosta é só na parte de cima do peixe e por isso não fica pesado. O risotto estava cremoso e os pedacinhos de pupunha contrastavam com a consistência do arroz. Há tempos não comia um peixe tão saboroso, tão bom que o namorado queria trocar um pedaço do peixe por um camarão do prato dele.

Os pratos são individuais, mas bem servidos. A casa é linda, o serviço super atencioso (aliás, no quesito serviço os paratianos dão de 1000 nos cariocas) e a comida é digna de nota máxima. Estávamos tão satisfeitos que acabamos não conseguindo pedir sobremesa por ali.

Passeamos sem rumo certo pelo centro histórico de Paraty e nos refugiamos do calor na Livraria das Marés: uma bela livraria de pé direito alto, com um café ao fundo e ar condicionado funcionando no máximo. Pedimos a tortinha de chocolate (R$12,00), uma água e um café Orfeu (R$5,00). O café é um charme e a tortinha é um milagre por si só: massa amanteigada e crocante, recheio de caramelo cremoso e cobertura de chocolate meio amargo para balancear o doce.

É aquele aspecto de cidade colonial portuguesa, com jeitinho brasileiro e comida “diferenciada” com preço em real.

 

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