Ritos de Passagem

Quem nunca preparou almoço de família para data comemorativa não sabe a sorte que tem! Há mais mistérios entre o mercado e mesa de almoço do que sonha nossa vã gastronomia.

Acho que somente quando você assume a responsabilidade de unir  famílias para um almoço de Páscoa (pode ser qualquer outra data comemorativa, eu diria) é que você realmente entende todo o esforço por trás de uma refeição festiva como essa e passa a respeitar muito mais todas as pessoas responsáveis por tornarem as datas comemorativas ainda mais especiais com pratos e comidas saborosíssimos.

A bíblia escolhida foi o livro “Jerusalém” do Ottolenghi – presente de aniversário da amiga que sempre tem boas dicas – com tantas fotos maravilhosas que ficamos com vontade de testar todas as receitas no mesmo dia. Algumas receitas são para cozinheiros com habilidades avançadas, outras levam ingredientes mais raros em terras tupiniquins, mas nada que nos desmotivasse. Nosso cardápio de Páscoa, então, incluía pratos típicos de Jerusalém, o que consideramos super representativo da data.

Dividimos as tarefas – o namorado e eu – e, em busca de uma refeição perfeita, fomos às Casas Pedro, ao Hortifruti, ao Guanabara e a mais uma ou duas casas especializadas para achar aqueles ingredientes mais exóticos (e mesmo assim ficamos sem o xarope de tâmara). Ao todo, tínhamos dois frangos inteiros, quase dois quilos de batata, muitas frutas cítricas, quase um quilo de abóbora, raízes como: cenoura, beterraba, aipo, nabo e muita disposição para acordar cedo no domingo e não deixar ninguém com fome.

O primeiro convidado chegou quando ainda estávamos dando aquela geral com aspirador de pó pela casa, mas, a julgar pela sinfonia de “hmmmmmmmm” durante o almoço, fomos aprovados em mais um desafio da vida a dois.

  • Entrada – hummuscompramos o grão de bico para cozinhar em casa e deixamos demolhando a noite toda, ele demora a alcançar o ponto bom para fazer pasta, então acho que se você estiver com pressa é bom comprar aqueles que já vem cozidos; mudamos um pouco as quantidades da receita e colocamos o tahine pelo “olhômetro”, mas deu super certo, a pasta ficou bem homogênea, com sabores bem misturados e um leve gosto de alho no final; e pasta de abóbora com tahine, até uns dois meses atrás eu não tinha idéia de quão difícil era cortar uma abóbora crua, então, para poupar o esforço hercúleo e ganhar tempo, compramos as abóboras já higienizadas e cortadas em cubos vendidas no Hortifruti. Daí é só assar com canela e sal por mais ou menos 1 hora e depois bater com iogurte grego e tahine. Para servir, salpicamos com gergelim branco e preto e substituímos o xarope de tâmara por cebolas caramelizadas e flambadas;
  • Principal – frango assado com arak e tangerina, deixamos o frango marinando de um dia para o outro com limão, laranja, arak, mostarda, bulbos de erva doce, sementes de erva doce e rodelas de tangerina. No domingo, foi só colocar na assadeira e assar por mais ou menos uma hora. Depois de pronto, reduzimos um pouco o molho para deixar mais concentrado; arroz basmati, a gente gosta de prepará-lo como se fosse o arroz nosso de cada dia mesmo, com cebola e alho e sal; salada de raízes com cenoura, beterraba, aipo e nabo (a receita original levava, na verdade, couve-rábano e aipo-rábano, mas a gente não conseguiu nem um, nem outro) com molho de limão, vinagre, azeite, açúcar e sal (deixa ferver em fogo baixo, rega a salada com o molho ainda quente, e depois deixa na geladeira); e latkes uma espécie de batata rösti que leva, além de batata normal ralada, uma tal de patisnaca – que também não achamos e substituímos por batata baroa-, claras de ovos, cebolinha e amido de milho para dar liga e depois fritamos com manteiga e óleo de girassol.
  • Sobremesa – o plano original incluía a confecção da sobremesa, o tal bolo krantz, mas desistimos pois a execução nos pareceu muito arriscada (tem até um momento para trançar a massa). Fomos de strudel de maçã com creme fresco batido que encomendamos no Kurt e cafezinho passado na hora.

Como todo bom almoço de família, sobrou comida para o farnel da semana. Mas por sorte algumas coisas mudaram: já estamos no século XXI e as mulheres não são as únicas a irem para a cozinha.

giphy

Ps: nem me atrevi a tirar fotos para não passar vergonha, então, se você ficou curioso, vai dar uma olhada no livro ou passa lá no site do Ottolenghi que também tem boas dicas online.

 

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