We´re not in Rio anymore

Quando penso em ‘mudança’, a primeira palavra que me vem à cabeça é um palavrão bem feio e bem sujo.  Se você (ainda) não passou por isso, tento explicar: pessoas invadem sua casa, desmontam e desarrumam tudo que você acabou de colocar no lugar. De quebra chega aquele momento  que não tem mais água gelada (pois já levaram a geladeira e, obviamente, este é um dos primeiros dias de muito calor na cidade) e não pode nem beber água da pia (pois desligou o registro geral para levarem sua máquina de lavar roupa).

Durante algumas horas, você se torna refém das suas própria coisas – vigiando tudo com olhos de águia e rezando para não saírem te carregando também -, compactuando com o aparente arrastão que está sendo perpetrado em sua residência, e segurando uma gata que está loucamente apaixonada pelo plástico bolha (usado para embalar a taças de cristal da tataravó do seu Marido).

Depois da passagem do tornado, você segue a estrada de tijolos amarelos, bate três vezes com os calcanhares do seu chinelo havaiana velho – o único que você lembrou de não colocar na mala – e todas as suas coisas começam a se materializar num lugar onde elas aparentemente (ainda) não pertencem. Para dar conta do tranco, só mesmo boa comida, bebida e companhia.

Explorando nosso novo habitat, nos deparamos com um restaurante de cortes de carnes argentino. Apesar do trauma por conta de um bife de tira que parecia sola de sapato, resolvemos dar uma chance e, então, o Ladrillo foi o primeio restaurante que nos acolheu depois dessa efetiva mudança de CEP.

Eles possuem varanda, que poderia ser agradável, não fossem os barulhos dos carros. Preferimos esperar perto do bar enquanto vagava uma mesa maior no salão interno. A casa tem aquele típico ar de churrascaria, com mobiliário escuro e, apesar das mesas de  madeira clara e dos janelões que tomam conta de uma parede inteira, o luz fraca de São Paulo não ajuda muito a iluminar o local.

Para vinhos em taça, a casa oferece aquelas mini-garrafas que, de tão lindinhas, dá vontade de pedir logo umas cinco. Nem preciso dizer que a taça de vinho custou praticamente o valor de todo o menu executivo (que inclui couvert, entrada, prato principal e sobremesa); a taça do Carmem sai por R$ 36.

O couvert chegou com uma cara simpática: pães quentinhos, farofinha e vinagrete com cebola e tomate (sim, finalmente uma vinagrete sem pimentão). A salada é um mix de alface, tomate, cenoura ralada, queijo parmesão e chips de bacon (fit, #sqn). Porção super bem servida, considerando-se que é uma entrada em um menu executivo. Como o Marido não come tomate, minha salada ficou ainda maior.

Cada um escolheu sua carne e dois acompanhamentos. Primeiro nossos pratos chegaram com os cortes errados – sorte que o marido conhece carne carne, porque eu ia comer feliz sem ver a diferença entre uma alcatra e um filé mignon. Mas, como todos os garçons que já encontrei em São Paulo, esse levou nossos pratos de volta sorrindo para corrigir o erro (não sei se paulistas são realmente tão simpáticos e educados ou simplesmente são melhores em dissimular a irritação #TBD).

Pratos corretos à mesa, foi hora de nos deliciarmos com nossas escolhas. Eu fui de picanha de cordeiro – carne macia, ao ponto, com gordura na lateral para dar mais sabor, e um pouco de gordura entremeada-, acompanhada de farofa com ovos e bacon – super gostoso, proporção certa entre farinha, ovo e bacon -, e batata suflê – crocantes, e fininhas, mas poderiam estar mais sequinhas.
O Marido escolheu o bife de chorizo que chegou no ponto perfeito para ele (quase totalmente queimado e intragável para a maioria da população) e mesmo assim macia, com arroz biro biro – uma espécie de arroz maluco que leva ovo, bacon e batata palha – e batata suflê. 

As porções estavam bem adequadas à proposta de menu executivo, sem aquele exagero já tradicional de casas de carne, mas infelizmente as opções de sobremesa incluídas no menu não nos animaram muito (R$62 o menu executivo).

Então, seguimos explorando nosso novo bairro e eis que encontramos uma sorveteria Cold Stone (aliás, por ali também tem uma Baccio di Latte, para o meu alívio, assim não tenho mais que transportar sorvete na ponte áerea).

A proposta da sorveteria é você montar seu próprio sabor; cada um escolhe um sorvete, mais uns docinhos e caldas, e a atendente mistura tudo em cima de uma pedra fria (#pescou?!). Existem algumas sugestões da casa, mas a diversão é virar criança e fazer um monte de combinação tão nada a ver que, não à toa, nunca comercializaram essa sua invenção. Os valores variam em função do tamanho do seu copinho e da sua imaginação (minha criação, tamanho pequeno, com 3 toppings ficou em R$ 19,50).

Se depender de São Paulo, 2017 verá um aumento na nossa circunferência, no número de posts desse blog (que, eu sei, ficou meio parado em 2016) e uma declínio proporcional nas nossas economias. #theresnoplacelikehome, mesmo quando existem 50 caixas para desembalar.

(Ladrillo – Tel.: (11) 3562-6499 – End.: Rua Pavão, 454 – http://www.ladrillo.com.br/ )

(Cold Ston Creamery – Tel.: (11) 5093-4487 – End.: Rua Gaivota, 1350, Moema – http://www.cscreamery.com.br/site/ )

 

 

 

 

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2 comentários em “We´re not in Rio anymore

  1. Bem vinda à capital do bom serviço e culinária! Para um blog de gastronomia trata-se de um super upgrade! É bem verdade que os moradores do Rio amantes da gastronomia, pobre coitados, precisam muito mais de um blog como este, do que os de SP. Mas, pensando no meu próprio umbigo por um momento, como carioca radicado em SP há quase 2 anos, fico feliz com a mudança.
    Transportar sorvete na ponte aérea?! Só se for no sentido SP-RJ.

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