Serviço de bordo

Algumas pessoas têm o dom de fazer certos hábitos parecerem chiques e glamurosos. É o caso desse pessoal que pega ponte aérea: mini malas de rodinhas que deslizam sem esforço, ternos que parecem recém-passados, saltos que fazem clac-clac pelo saguão do aeroporto.

Eu sou o contrário. Depois de um dia de trabalho, minhas roupas parecem que uma vaca mastigou e cuspiu fora; meus sapatos são flats para não passar vergonha caindo pelos aeroportos do país, e minha mala geralmente entala quando tento colocar no compartimento de bagagem. E não, ninguém se oferece para ajudar (pessoal glamuroso é pouco gentil).

Mas enfim, o Marido me aceita assim. Até aceita me buscar no aeroporto na sexta-feira à noite para um jantar romântico. Com a ajuda do Foursquare, escolhemos o Ruella, que leva esse nome por se localizar em uma- isso mesmo, você adivinhou – ruela.

A casa conta com algumas mesinhas do lado de fora e um segundo andar que serve de área de espera. Some-se a isso uma decoração puxando para o kitsch e iluminação à meia luz (que é péssima para as fotos do blog): nem preciso que o local é prato cheio para casais de coxinhas apaixonados.

Depois da escolha do restaurante, fiquei com um objetivo em mente: tomar o famoso drink que leva o nome da casa – vodka, gengibre, limão e suco de romã -, alcóolico e refrescante; ótima opção para começar o fim de semana com o pé direito e tentar ficar um pouco glamurosa. Chegando lá, dupla frustração: a previsão de espera era de mais de uma hora, e eles não estavam servindo o drink.

Com preguiça de buscar outro local, ficamos aguardando uma mesa ali no bar e eu fui de Dry Ruella – com saquê, lichia, manjericão e limão (R$ 18,80). Drink agradável, mas sem brilho. De entradinha, pedimos o bolinho de risotto, que eles também não estavam servindo. Em qualquer outro cenário, teríamos ido embora, mas o cansaço era grande e a vontade de entrar em mais um restaurante carregando minha mochila-trambolho era zero.

img_1942Fomos então com  a porção de pães – opção mais básica do cardápio que não causava arrepios ao Marido (como o tartare  de salmão). A porçãozinha de pães chegou bem rápido: duas fatias grossas de cada pão – de alecrim e integral com castanha do pará, nozes e passas. Acompanham manteiga de gengibre e azeite com manjericão. O mais saboroso era o pão de alecrim; o outro era meio massudo, muito pesado. O azeite com manjericão estava uma delícia, mas o gengibre na manteiga nem deu as caras.

Finalmente conseguimos uma mesa para dois, ao pé da escada, e super grudadinhos no casal da mesa ao lado. A essa altura, já tínhamos lido o cardápio algumas vezes e não demoramos a escolher os pratos. Fui de steak tartare  e o Marido, de confit de pato. O serviço é bem atencioso e os pratos chegaram rapidamente.

img_1943Uma porção modesta de steak tartare (R$57,80), mas com bastante salada e batata frita acompanhandos de um potinho extra de  alcaparras, para a felicidade de quem gosta de coisa salgada, e mostarda à parte. A salada era um mix de folhas frecas e tomatinhos temperados com vinagrette; as batatas estavam bem crocantes (mas pareciam dessas congeladas). O tartare estava super bem temperado, sem gema de ovo – como informa o cardápio -, carregado na pimenta e com uma consistência que lembra um pouco uma terrine, e não filé mignon cortado na faca.

img_1944O confit (R$88,80) estava lindo de olhar e de comer: um pedaço singelo de coxa com sobrecoxa de  pato, coberto com bastante molho Roisin (um molho com caldo da própria carne, vinho, açúcar, tomate e especiarias, bem consistente), servido com tarte tatin de batata com cogumelos e alho (jeito pomposo de falar que vem com uma torta de batata de frigideira) . O pato estava super saboroso,  mas a torta de batata, um pouco sem sal e seca demais.
De sobremesa, não resisti e fui de crème brûlée (R$ 28,80), que veio com uma casquinha super crocante (quiçá um pouco queimada além do ponto), com um toque de baunilha e doce no ponto certo. img_1946

Foi um pouco como na ponte aérea: você fica na expectativa enquanto vê as outras pessoas recebendo a comida; no pouco espaço que lhe cabe, toma muito cuidado para não esbarrar ou atrapalhar os outros; e quando finalmente chega sua vez, fica aquela senção de que você pagou caro demais por uma porção pequena e meio sem graça.

 (Ruella –  End.: Rua João Cachoeira, 1507 – Tel.: 3842-7177 ou 3848-6720 – http://www.ruella.com.br/ )

Anúncios

Já foi lá? Não foi, mas ficou curiso(a)? Curtiu o post? Me conta tudo aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s